A natureza como modelo para robôs

Por Alessandro Greco - colunista do iG* |

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Cientistas exploram habilidades desenvolvidas durante milênios por animais para fazer máquinas que desempenhem melhor suas tarefas

Divulgação
Paul Day and Alan Asbeck, da equipe de Stanford que criou o robô-lagartixa: tecnologia inspirada na natureza

O comportamento de diversas espécies da natureza têm servido cada vez mais de modelo para os cientistas projetarem robôs. O objetivo vai muito além de entender o funcionamento, por exemplo, do sistema de orientação das formigas argentinas dentro de seu formigueiro ou o movimento corporal de uma água viva.

O real intuito é muito mais usar as habilidades desenvolvidas durante milênios por esses animais para usá-los em tarefas diárias, como máquinas capazes de cooperar em tarefas como busca e salvamento, e exploração e mapeamento de ambientes perigosos (caso das formigas); ou submarinos impulsionados pelo hidrogênio contido na própria água (caso da água-viva).

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos é um dos grandes motivadores desse tipo de pesquisa como pode ser visto em um vídeo recente do AlphaDog, um cão eletrônico capaz de ficar de pé, andar por mais de 300 quilômetros sem parar e carregar até 180 quilos, ou na lagosta-boxeadora (Odontodactylus scyllarus), também conhecida como tamarutaca no Brasil, que tem o soco mais rápido do mundo, alcançando 72 km/h debaixo d’água, e serve de inspiração para a construção de jatos militares mais resistentes; ou ainda no robô guepardo” que corre a uma velocidade de 29 km/h, criado com o intuito de ajudar soldados em missões de longa distância durante guerras).

Veja outros robôs inspirados em animais:
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Robô-lagartixa é capaz de escalar paredes 

Há quem pense ainda em projetos que não tem, a princípio, nada de militar como o ambicioso Z-man, de uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Eles pretendem fazer com que um ser humano suba literalmente pelas paredes como o Homem-Aranha. A tecnologia reproduz em um robô a biologia que permite às lagartixas subir pelas paredes e foi demonstrada por eles em 2010.

O projeto continua em andamento. Agora é esperar para ver quanto tempo mais será necessário para que subamos pelas paredes, ou que outro animal pode servir de inspiração para a tecnologia.

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*Alessandro Barros Greco é jornalista e engenheiro mecânico pela POLI-USP. Escreve sobre ciência desde 1998. Acredita que falar sobre ela ajuda as pessoas a viver melhor. Foi o terceiro brasileiro a receber a bolsa Knight Science Journalism Fellowship do Massachusetts Institute of Technology (MIT)

 

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