O grande negócio das viagens espaciais privadas

Por Alessandro Greco -- colunista do iG* |

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A Nasa está terceirizando suas viagens ao espaço, e muitas empresas estão de olho neste filão. Entenda porquê e quais são os setores mais promissores

Nasa
Cápsula Dragon da SpaceX acoplada na ISS, durante viagem-teste em 2012

Semana passada a cápsula Dragon, da empresa espacial privada SpaceX, deu um susto em seus criadores e investidores. Contratada pela Nasa para levar suprimentos até a Estação Espacial Internacional (ISS), ela apresentou problemas em seus propulsores logo após o lançamento. A situação foi resolvida após seis longas horas de trabalho de sua equipe técnica. .

O literal soluço da Dragon poderia ter se tornado um engasgo caso ela não tivesse conseguido, no dia seguinte, se acoplar com sucesso à ISS. Uma engasgada que poderia custar aos cofres da empresa 12 bilhões de dólares, o valor do contrato que ela tem com a Nasa para fazer este tipo de serviço.

Um trabalho que a Nasa concluiu que valia a mais a pena terceirizar com empresas privadas do que continuar com o custoso programa de ônibus espaciais que durou trinta anos e custou 196 bilhões de dólares. Rendeu glórias, é verdade, mas também tragédias como a explosão da Challenger (1986) logo após a decolagem e a destruição Columbia (2003) na reentrada da Terra. A Nasa não é a única cliente da SpaceX. Ela já contratos para lançamento de satélites com a empresas privada SES, por exemplo.

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No quesito levar o que for ao espaço de suprimento a humanos, passando por satélites, a SpaceX está basicamente sozinha, mas no negócio de dar uma voltinha na fronteira da Terra com o espaço há ao menos dois competidores, a SXC e a Virgin Galactic. O mercado estimado segundo um estudo encomendado pelo governo dos Estados Unidos está na casa dos 600 milhões de dólares a 1,2 bilhão de dólares nos próximos dez anos. Não é um potencial como o de vender para a Nasa ou outra agência espacial como a europeia ou a chinesa, mas ainda é um mercado grande.

SXC e Virgin Galatic prometem levar seus primeiros turistas ao espaço em meados de 2014 e ao que tudo indica irão cumprir o prometido. Ao que parece a SXC irá primeiro, mas pouco importa. O que interessa realmente para os negócios é fazer da experiência um entretenimento ímpar e (obviamente) trazer as pessoas em segurança de volta para casa. Com essas duas condições satisfeitas, o céu é o mercado.

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*Alessandro Barros Greco é jornalista e engenheiro mecânico pela POLI-USP. Escreve sobre ciência desde 1998. Acredita que falar sobre ela ajuda as pessoas a viver melhor. Foi o terceiro brasileiro a receber a bolsa Knight Science Journalism Fellowship do Massachusetts Institute of Technology (MIT)

 

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