Classe média emergente põe pressão sobre infraestrutura no Brasil

Para jornal britânico Financial Times, blecautes aumentam pressão sobre Dilma Rousseff

BBC Brasil |

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Os recentes episódios de apagões registrados em várias regiões do Brasil são uma indicação de que a infraestrutura do país pode estar sendo pressionada pelo aumento da demanda gerado pela classe média emergente, segundo afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.

“A classe média do Brasil, em rápido crescimento, tem colocado uma grande pressão sobre o sistema elétrico, conforme as pessoas correm para comprar suas primeiras máquinas de lavar, televisões e outros eletrodomésticos”, diz o jornal.

“No dia 4 de fevereiro, oito Estados da pobre região nordeste do Brasil ficaram sem eletricidade por várias horas. O governo culpou problemas de transmissão. Quatro dias depois, um blecaute atingiu São Paulo, a maior cidade do país e seu centro financeiro”, relata o texto.

Para o FT, “os blecautes renovaram a pressão sobre Dilma Rousseff, a nova presidente do Brasil, para melhorar a infraestrutura enferrujada do país antes da realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos dois anos depois”.

Prioridades
O texto comenta que “a energia é uma das prioridades mais urgentes”. “O Brasil espera que o consumo de eletricidade cresça 5,3% ao ano entre 2009 e 2019, exigindo um investimento total de R$ 214 bilhões”, diz a reportagem.

Apesar disso, observa o jornal, os analistas dizem que o problema é mais do que apenas investimentos, mas também de planejamento, burocracia e de disputas políticas.

“São Paulo não obteve sua quota de investimento federal porque o governador local era de um partido que não faz parte da coalizão nacional no poder”, afirma a reportagem.

O jornal conclui perguntando se “os fãs de esporte serão atingidos quando a Copa do Mundo e a Olimpíada forem realizadas”.

“Analistas acreditam que Rousseff, uma tecnocrata que já foi ministra da Energia, terá um interesse pessoal em resolver os problemas”, finaliza o FT.

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