Os estudos em genética estão longe de ser utilizados eficazmente para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças como o câncer, o diabetes ou enfermidades cardiovasculares, apesar dos grandes avanços registrados. De acordo com um estudo, médicos especialistas estão na maioria dos casos "mal preparados" para associar as descobertas da pesquisa genética a suas práticas.
Cientistas do RAND Corp., uma organização de pesquisa sem fins lucrativos do Departamento americano de ex-Combatentes de Guerra analisaram 68 trabalhos publicados entre janeiro de 2000 e fevereiro de 2008 sobre a aplicação de estudos do genoma na prevenção e tratamento das principais doenças crônicas que afetam adultos em países desenvolvidos.
Segundo eles, "os testes genéticos são cada vez mais acessíveis para ajudar a prevenir, diagnosticar e tratar as doenças crônicas mais comuns, não apenas as afecções genéticas raras", explicou o doutor Maren Scheuner, que coordenou a pesquisa.
Em particular, os médicos disseram não ter tempo e a formação exigida para aceder e interpretar a história familiar de seus pacientes, que permitiriam reconhecer eventuais predisposições a enfermidades para proceder a análises genéticas ou a encaminhamento a consultas com especialistas.
"No entanto, os médicos generalistas têm um papel primordial na detecção e na prevenção de doenças crônicas, porque estão na primeira linha de atenção a pacientes", destacou Scheuner.
Em seu informe, os cientistas destacaram a necessidade de formar a comunidade médica e o público sobre a aplicação em medicina dos estudos do genoma e sobre o desenvolvimento de noos meios para aceder a esses conhecimentos.
Entre as ferramentas promissoras citadas, mencionaram as consultas genéticas por videoconferência, a consulta telefônica de resultados de provas genéticas, e a integração desses dados aos arquivos médicos digitalizados.
O trabalho foi apresentado como parte de um informe especial sobre os estudos do genoma que será divulgado na edição do Journal of the American Medical Association (JAMA, revista da Associação Médica americana) de 19 de março.