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Obesos também podem sofrer de desnutrição

25/02 - 00:09 - Agência Estado

São Paulo - Pense em desnutrição e imediatamente o cérebro vai buscar a imagem de alguma criança magrinha, de olhos grandes e perdidos, nos braços de uma mãe igualmente esquálida, esperando por ajuda em algum campo de refugiados. A manifestação clínica da fome, porém, deixou de ser um problema restrito aos carentes crônicos e pode aparecer até em obesos.


"Sobrepeso e obesidade nem sempre traduzem um bom estado nutricional. Muitas vezes, consomem as chamadas calorias vazias, que não têm qualquer nutriente", explica a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, diretora do Citen - Centro Integrado de Terapia Nutricional.

O álcool, por exemplo, tem sete calorias por grama e nada de bom que se aproveite. O consumo elevado de alimentos industrializados e práticos, como bolachas, sanduíches e macarrão, também colabora para o aumento de peso. E para deficiências de ferro (anemia), vitaminas do complexo B, cálcio, entre outros componentes necessários para o bom funcionamento do corpo.

"A desnutrição pode ser classificada como aguda (leve, moderada ou grave) ou crônica", explica Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, presidente da Abran - Associação Brasileira de Nutrologia. A aguda é observada pelo déficit entre peso e idade. Já a crônica é avaliada pelo déficit de idade pela altura. "Em comum, as duas são a expressão biológica de uma carência prolongada dos macronutrientes e micronutrientes. Em última análise, vão resultar em deficiências no crescimento", esclarece.

Cabelos ralos, pele fina e problemas como osteoporose e osteopenia são outros sinais de falta de alimentação adequada. "Quando a gente fala que o grau da desnutrição é medido pelo peso, isso é expresso em um padrão de referência. Mas existem ocorrências de obesos desnutridos, é o que chamamos de fome oculta", diz Ribas. "As pessoas têm muitas vezes uma ingestão excessiva de calorias, mas não de todos os nutrientes de uma alimentação balanceada."

A desnutrição também pode ser causada por distúrbios alimentares, como a bulimia e a anorexia, por doenças crônicas e por síndromes disabsortivas. "Há patologias que impedem o organismo de absorver os nutrientes", esclarece o médico.

O problema é comum, por exemplo, em pacientes submetidos a cirurgia bariátrica (redução do estômago). "Eles não absorvem mais ferro e têm carência de vitamina B12. Se não fazem suplementação, costumam ficar muitos doentes", alerta a doutora Ellen.

A melhor maneira de curar desnutrição é comer de tudo. "Isso significa consumir carboidratos no café, almoço e jantar, três a quatro porções de fruta, quatro a cinco porções de verduras e legumes, arroz, feijão e uma proteína (pode ser animal ou vegetal)", aconselha a médica.

Outro resultado da má alimentação dos que exibem excesso de peso e falta de nutrientes é a chamada ‘obesidade sarcopênica’. "São pacientes que têm obesidade, mas apresentam carência de músculos, têm uma composição muscular proporcionalmente mais fraca diante do que exibem de gordura", alerta do professor Alfredo Halpern, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas.





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