14/02 - 13:32 - Redação Santafé Idéias
BRASÍLIA - O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira a redução nos gastos com compra de anti-retrovirais, medicamentos usados no controle da Aids, de R$ 960 mi para R$ 710 milhões. A diminuição de 26% foi obtida, segundo o ministério, a partir de negociações de preço e licenças compulsórias, realizadas nos últimos anos, mesmo com aumento no número de pacientes em uso dos medicamentos.
Os números fazem parte do relatório “UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007", que faz um balanço da doença no Brasil para as Nações Unidas, que ouviu cerca de 115 mil pacientes. O estudo aponta ainda que a descoberta tardia aumenta o custo com o tratamento, além de elevar o nível de transmissão da doença e, sobretudo, a possibilidade de morte.
Entre 2003 e 2006, por exemplo, 43,7% das pessoas com mais de 15 anos que vivem com HIV (cerca de 50 mil) chegaram ao serviço de saúde já apresentando os sintomas da Aids. Deste total, 28,7% (14 mil) morreram logo no início do tratamento. De acordo com o pesquisador e consultor do projeto, Alexandre Granjeiro, é preciso que o teste esteja disponível para a população. “Quase 100% das pessoas para quem o teste é oferecido aceitam em fazê-lo. O problema é que o teste deve estar sugerido pelo órgão de saúde”, destacou.
Granjeiro acrescentou que os últimos números das estatísticas nacionais indicam que 600 mil pessoas são infectadas por ano, mas desconhecem que tem o vírus. Entretanto, o pesquisador reforçou que a tendência do diagnóstico tardio é uma questão mundial.
A diretora do Programa Nacional DST-Aids do ministério, Mariângela Simão, afirma que o início tardio do tratamento pode ser provocado por fatores como a dificuldade de acesso ao diagnóstico e de atendimento nos serviços públicos de saúde. Mas ela acrescenta como agravante a falta de percepção da população que não se enxerga em risco e não busca fazer o teste anti-HIV espontaneamente.
De acordo com o ministério da Saúde, das pessoas que fazem o teste, apenas 8% o fazem de maneira espontânea.
Para reverter a situação de diagnóstico tardio, o ministério ampliou acesso a testes rápidos em 140%, passando de 510 mil exames, em 2005, para mais de um milhão em 2007. Em 2005, foram priorizadas gestantes, população de difícil acesso e em maior vulnerabilidade.
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