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Qual é a crítica aos transgênicos?

14/02 - 14:49 - Redação

Um organismo geneticamente modificado ao ser liberado na natureza cresce, multiplica-se e interage com o ambiente. Organizações e movimentos contrários aos transgênicos argumentam que, por causa disto, não podem ser controlados, ou seja, as imperfeições da técnica de inserção de genes podem gerar modificações perigosas em longo prazo.

O Greenpeace se opõe à liberação dos transgênicos no meio ambiente por diversas razões. Uma delas é a segurança alimentar: o produtor terá que pagar royalties pelas plantas “patenteadas” e as sementes que produzem por todas as gerações futuras. Considera isto uma ameaça à segurança alimentar e à biodiversidade. Além disto, a organização aponta o aparecimento ou aumento de alergias, resistência a antibióticos, efeitos inesperados e aparecimento de novos vírus mediante a recombinação genética.

 “Não há dados conclusivos que apontem a segurança alimentar desses produtos. Não tem pesquisa feita de forma confiável dizendo o que acontece, a longo prazo, com pessoas que consumirem esses produtos”, alerta Gabriel Fernandes, agrônomo da AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), ONG com sede no Rio de Janeiro e que presta assessoria a agricultores familiares e agroecologia.

Entre os possíveis problemas de saúde, Fernandes aponta o desenvolvimento de vários tipos de novas alergias alimentares, desencadeadas pelo consumo de transgênicos. “Vários tipos de transgênicos, entre eles o milho que o governo liberou ontem, que levam na modificação genética genes resistentes a antibióticos. Um risco debatido internacionalmente é que essa resistência a antibiótico seja transferida para a pessoa que consome os transgênicos. Essa é uma preocupação grande de saúde”, alerta.

O fato de os Estados Unidos ser apontado como modelo de consumo de transgênicos é, segundo o agrônomo, equivocado. Ele explica que lá, apesar de o consumo existir há dez anos, não é monitorado e os alimentos nunca foram rotulados. “Se uma alergia qualquer esteja aumentando nos Estados Unidos, não é possível fazer a relação dela com os transgênicos”, afirma.

Sobre o impacto ambiental, Gabriel Fernandes também ressalta os pontos negativos dos transgênicos. “Ao contrário do que afirmam as empresas, existe aumento do uso de agrotóxicos. O agricultor vai usar todo ano, na mesma área, o mesmo produto químico para matar o mato que compete com a lavoura. Aos poucos, esse mato vai ganhando resistência ao produto, da mesma forma que uma pessoa ganha resistência a um remédio. Com isso, para controlar esse mato, são aplicadas doses cada vez maiores desses agrotóxicos ou venenos ainda mais fortes”, analisa o agrônomo.

A corrente contrária aos transgênicos também argumenta que o problema da fome no mundo é decorrente de interesses políticos e econômicos e, portanto, deve ser solucionado com modificações efetivas da sociedade.





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