O Hospital A.C. Camargo, popularmente conhecido como Hospital do Câncer, em São Paulo, vai investir R$ 14 milhões para concentrar em apenas um espaço físico todas as suas unidades de ensino e pesquisa, como laboratórios e salas de aula das escolas de Cancerologia, Enfermagem e pós-graduação lato e stricto sensu. As obras do prédio, que terá nove andares, começam em março e devem durar seis meses.
A nova unidade do Cipe – A.C. Camargo (Centro Internacional de Pesquisa e Ensino) vai permitir a expansão das atividades científicas e educativas, com o aumento do número de cursos e eventos nacionais e internacionais. Estão previstos também cursos de extensão de educação à distância, além de aprimoramento e especialização lato sensu.
Em 2007, o Cipe do Hospital do Câncer recebeu duas notas máximas na avaliação trienal da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para a pós-graduação stricto sensu. O A.C. Camargo entrou também em listas de revistas como Exame/Você SA, Valor Econômico e Istoé Dinheiro, como destaque nas áreas de gestão e recursos humanos. Ano passado, ainda na área de pesquisa, foi firmada a parceria do Hospital do Câncer com o M.D. Anderson Cancer Center, dos Estados Unidos.
Pesquisa
Para o Professor Doutor Ricardo Renzo Brentani, presidente do Conselho do Hospital do Câncer A.C. Camargo, foi mais do que válida a opção de o hospital se transformar em um centro de pesquisa, há cerca de vinte anos. “Hoje em dia, o paciente quer um profissional que agrega conhecimento. E nós somos reconhecidos pelas instituições que subsidiam ciência no Brasil”, afirma.
Em quarenta anos de de residência médica oncológica, o A.C. Camargo já formou cerca de 700 especialistas. Atualmente, o hospital é o terceiro colocado entre as instituições privadas com maior produção científica no país, ficando atrás da PUC do Rio de Janeiro e da PUC do Rio Grande do Sul.
Com um banco de tumores informatizado, que serve de base e fonte para as pesquisas, o centro de pesquisa do Hospital do Câncer aposta em áreas menos estudas por outros centros. “A pesquisa tem que ser relevante, ter impacto, ser boa e competitiva”, justifica Ricardo Renzo Brentani. “Não faz sentido querer investir na pesquisa sobre câncer de mama, por exemplo, porque a concorrência te esmaga”, completa.
Em conseqüência disso, as áreas em evidência no centro de pesquisa atualmente não tumores na região da cabeça e pescoço (como boca, laringe, entre outros), tumores do pênis, próstata, algumas espécies raras de sarcomas, câncer de intestino e oncogenética. “Estamos interessados nessa área porque 10% dos tumores humanos são hereditários. Há indícios até de que esse número seja maior. É uma área na qual vale à pena investir e a concorrência não é tão brutal”, explica o médico.
O Hospital do Câncer em números:
- 700 mil procedimentos por ano;
- 300 mil consultas por ano;
- 9 mil cirurgias por ano;
- 100 mil exames de imagem por ano;
- 250 atendimentos de radioterapia por dia;
- 350 médicos especialistas;
- 36 especialidades,
- Atendimentos: 36% via convênios médicos, 60% via SUS e 4% de atendimentos particulares.