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Pesquisadoras promovem discussão sobre questões éticas do uso de drogas que estimulam o cérebro

21/12 - 14:44 - Redação

O uso de drogas cognitivas que estimulam o cérebro, tanto em doentes quanto em indivíduos saudáveis, é um dos assuntos explorados na revista "Nature" desta semana. Pesquisadores da Universidade de Cambridge alertam para o aumento no uso de drogas que incentivam o funcionamento do cérebro e discutem a necessidade da regulamentação.

Esse tipo de droga é comumente prescrita em vários casos de problemas neuropsiquiátricos e danos cerebrais. Poucas pessoas vão questionar o uso dessas drogas em pacientes com mal de Alzheimer, mas o que dizer da utilização em indivíduos saudáveis, mas que sofrem, por exemplo, de fadiga e irritação em conseqüência de mudança de fusos horários após vôos muito longos?

Por enquanto, a não prescrição desses medicamentos, que ajudam a melhorar a memória e a concentração, tem feito muitas pessoas realizarem a compra dos mesmos pela internet.
 
A professora Barbara Sahakian e a médica e pesquisadora Sharon Morein-Zamir elaboraram uma série de questões levando em conta questões de saúde e também o impacto social causado pelo uso dessas drogas estimuladoras do cérebro. Elas argumentam que muitos fatores devem ser levados em conta, como qual deve ser a droga ideal para cada pessoa, os benefícios e riscos, além do objetivo do uso.
 
“Deveríamos incentivar a indústria farmacêutica a desenvolver medicamentos mais seguros para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com problemas neuropsiquiátricos e danos cerebrais”, afirma Barbara Sahakian.
 
O estudo alerta para o fato de muitas pessoas beberem café, um conhecido estimulante cerebral, e que isso não teria nenhuma diferença em relação aos medicamentos, caso eles fossem tomados com orientação médica.
 
“Há uma carência muito grande de estudos nessa área. Uma discussão pública sobre isso inclui também discutir sobre o que esperamos da nossa sociedade no futuro”, diz Sharon Morein-Zamir.
 
As autoras do artigo científico defendem a regulamentação das drogas que estimulam o cérebro. “A regulamentação deve ser resultado de uma ampla discussão entre cientistas, médicos, políticos e sociedade. Esperamos promover esse debate”, afirma Barbara Sahakian.




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