27/11 - 11:33 - Fernanda Castello Branco
Coceira, ardência, inflamação, fotofobia, borramento visual, sintomas de alergia ou de conjuntivite. Estes são alguns dos sintomas da síndrome do olho seco, um conjunto de doenças que acomete os olhos devido à diminuição da produção da lágrima ou alteração de um dos seus componentes internos. O problema, pouco conhecido até entre a classe médica, pode ser causada, entre outras coisas, por fatores ambientais, como a poluição.
Para popularizar a síndrome, é comemorado nesta terça-feira, 27, o Dia da Conscientização do Olho Seco. Em São Paulo, a data será celebrada com atividades no Sesc Ipiranga, com o objetivo de alertar as pessoas sobre a doença e sobre testes em busca de um diagnóstico precoce. “Realizaremos testes e exames de olho seco, com o intuito de fazer com que o paciente conheça melhor o problema”, explica o Dr. José Álvaro Pereira Gomes, Presidente Científico da Associação dos Portadores do Olho Seco (APOS).
A difusão da síndrome é muito importante, já que a confusão de diagnósticos é muito comum, alerta o oftalmologista e membro da diretoria da APÓS André Berger. “Um quadro de olho seco agudo leva a erosões na córnea e a feridas na conjuntiva, e isso pode causar conjuntivite, por exemplo. O paciente chama de coceira, é tratada como conjuntivite e, na verdade, é olho seco. O mesmo paciente pode ter os dois problemas também, mas nem sempre”, explica o médico.
Uma pesquisa realizada em setembro, pelo Grupo de Superfície Ocular e Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental, do HCFMUSP, em conjunto com o Laboratório de Investigaciones Oculares da Universidad de Buenos Aires, concluiu que sintomas irritativos como olhos vermelhos, sensação de areia nos olhos, ardência e irritação são mais freqüentes em pessoas que vivem em ambientes mais poluídos.
No Brasil, o olho seco é mais comum no final do inverno. “Isto por causa da inversão térmica e do tempo mais ressecado e quente”, afirma André Berger. Na primavera, no entanto, o mais comum é que o paciente esteja mesmo com alergia. “Mas cada caso é um caso. Cada olho é um olho”, completa.
Estima-se que, a cada 10 pacientes que vão a um consultório oftalmológico no País, um tenha olho seco. São mais de 9 milhões de pessoas com a síndrome, sendo que 90% dos casos se dão em mulheres na menopausa. Com a diminuição da produção de hormônios masculinos, que levam à produção de lágrimas, as mulheres têm maior propensão ao olho seco nesta fase da vida. “Mas é um quadro de fácil manejo”, explica Berger.
Em casos extremos, no entanto, o olho seco pode levar à cegueira. Os tratamentos são variados e vão desde casos cirúrgicos (não reverte o quadro, apenas o controla, evitando a piora) até ao uso diário de colírios, géis e pomadas.
Dia de Conscientização da Síndrome do Olho Seco
Quando: 27 de novembro, das 10h às 16h
Onde: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo/SP
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