23/10 - 10:01 - AFP
A luta contra a epidemia de obesidade que atinge ou ameaça 200 milhões de pessoas nos Estados Unidos deve se inspirar no combate ao tabagismo, segundo um especialista que participou na segunda-feira de uma conferência em Nova Orleans (Louisiana, sul).
"O que deu certo com o tabaco é que tivemos uma estratégia múltipla, impondo taxas sobre os maços de cigarros, proibindo os jovens de terem acesso ao tabaco, banindo o fumo em lugares públicos", lembra William Dietz, diretor de prevenção dos Centros Federais de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês).
"Não é apenas uma ação que vai fazer a diferença, mas várias de uma vez", acrescenta este especialista que destaca "um início de mudança" em vários estudos de caso apresentados durante a Conferência Anual sobre Pesquisa e Obesidade, organizada pela The Obesity Society, uma associação de cientistas americanos criada há 25 anos para estudar este fenômeno. "Foram necessários 40 anos para mudar o tabagismo", assegura Dietz em uma entrevista à AFP.
Estratégias locais, como no estado do Arkansas, começam a gerar frutos. Em suas escolas públicas, este estado do sul desenvolveu uma campanha englobando a proibição da "junk food", a prática de esportes e a medição sistemática do índice de massa corporal dos alunos, cujos resultados são enviados anualmente para os pais.
Uma pessoa é considerada obesa quando seu índice de massa corporal (IMC), calculado por meio da divisão de seu peso (em kg) por sua altura ao quadrado (em m2), é superior a 30.
O número de obesos entre os estudantes do Arkansas se estabilizou, e até baixou (20,9% em 2004 e 20,6% em 2007). "Houve mudanças excepcionais registradas nas escolas. É um indicador objetivo de mudança", afirma este diretor do CDC.
Um recente estudo do CDC mostra que a porcentagem de escolas que oferecem frituras para os alunos passou de 40% em 2000 para 18,8% no ano passado, o mesmo ocorreu com os refrigerantes (presentes em 68,4% das escolas em 2000 contra 47,7% em 2006).
A última grande pesquisa nacional (National Health and Nutrition Examination Survey NHANES) permitiu constatar uma estagnação da taxa de obesidade entre as mulheres entre 1999 e 2004, embora continue progredindo entre as crianças, os adolescentes e os homens.
"A mensagem destinada à opinião pública fará a diferença na luta contra a obesidade", afirma por sua vez Eric Ravussin, professor do Centro de Pesquisas sobre a Obesidade Pennington Center e presidente neste ano da The Obesity Society.
"A grande coisa a se fazer é a prevenção. Um dólar de prevenção evita muitas despesas depois", afirma à AFP. Segundo ele, "é preciso também dedicar pesquisas à obesidade para definir as estratégias mais econômicas de prevenção".
Ele lamenta que o National Institute of Health invista apenas 7,3 dólares em pesquisas por pessoa obesa nos Estados Unidos, contra 35 dólares para cada paciente com doenças cardiovasculares. "O governo investe em pesquisas o equivalente a um Big Mac, uma Coca-Cola e batatas fritas para cada obeso", ironiza o pesquisador.
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