13/09 - 10:28 - AFP
A mudança climática e a desertificação são dois aspectos do mesmo problema e estes fenômenos similares devem ser combatidos conjuntamente, destacaram em Madri ministros e autoridades de todo o mundo em uma conferência da ONU sobre desertificação.
"Estes dois temas estão intimamente ligados ao ponto de que podemos falar de duas faces de uma mesma moeda", resumiu nesta quarta-feira Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima (UNFCCC), presente em Madri para defender maiores sinergias nos combates internacionais contra um e outro problema.
A ministra espanhola do Meio Ambiente, Cristina Narbona, falou sobre o assunto na mesa redonda "desertificação e adaptação à mudança climática" na VIII Conferência Internacional de Acompanhamento da Convenção das Nações Unidas para a Luta Contra a Desertificação (UNCDD).
"A desertificação, a perda da biodiversidade e a mudança climática são três aspectos ligados a um único fenômeno", declarou a ministra durante o debate.
"A mudança climática já tem um impacto importante sobre a desertificação e os cientistas nos dizem que se fracassarmos na mudança climática, o impacto em termos de desertificação será terrível", destacou o holandês de Boer.
O ministro do Meio Ambiente da Guatemala, Juan Mario Dary Fuentes, ilustrou a estreita relação entre pobreza, desmatamento e desertificação, um fenômeno que ameaça 48% da superfície do país.
A União Européia (UE) apresentou como soluções para o problema a luta contra o desmatamento, o combate contra a pobreza e os modelos de desenvolvimento sustentável.
Para a ministra espanhola, não é necessário criar novas convenções para combater a desertificação e o aquecimento global, mas sim melhorar os instrumentos existentes.
"O conhecimento científico de dois fenômenos, desertificação e mudança climática, é bom. O que falta é uma maior aplicação das políticas e sua realização concreta", disse na mesma linha Boer.
A VIII Conferência Internacional dos 191 países signatários da UNCDD prossegue até sexta-feira, quando deve ser aprovado um plano de ação para os próximos 10 anos contra a desertificação.
De Boer acredita que o encontro possibilitará uma "revitalização" da estratégia desta convenção da ONU, com maiores meios orçamentários.
ot/fp
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