05/07 - 18:03 - EFE
MADRI- Oito anos de pesquisa, o desenvolvimento de um sistema de gravação e 400 participantes demonstraram que o estereótipo de que as mulheres falam mais que os homens é falso: os dois dizem cerca de 16 mil palavras por dia.
É o que mostra o primeiro registro sistemático feito de conversas naturais de centenas de pessoas num amplo período.
Um estudo que será publicado nesta sexta-feira pela revista "Science" foi elaborado a partir da gravação das conversas de quase 400 estudantes da Universidade do Texas, em Austin (Estados Unidos), e da Universidade Autônoma de Nuevo León, em Monterrey (México).
Os autores da pesquisa reconhecem que as mulheres falam mais: 16.215 palavras em média, contra as 15.669 pronunciadas pelos homens. Uma diferença muito distante das 20 mil palavras ditas pelas mulheres e as 7 mil empregadas pelos homens apontadas por alguns trabalhos citados no estudo.
"O Que é uma diferença de 500 palavras, comparada com as 45 mil que separam as pessoas mais faladoras das menos?", questiona no trabalho um dos diretores do estudo, o professor Matthias R.Mehl.
As três pessoas que mais falavam eram homens e um utilizava 47 mil palavras, mas também era um homem o que menos falava: 500.
O sistema EAR, que permitiu as gravações e foi desenvolvido pelos próprios pesquisadores, consistia em gravadores digitais que eram ativados automaticamente durante 30 segundos a cada 12 minutos e meio, com um microfone externo e um microchip que transmitia o conteúdo a um programa de computador específico.
Os participantes, de 17 a 29 anos, foram divididos em seis grupos e "recrutados" - na maioria dos casos - nas turmas de Psicologia em troca de quantias que variavam entre US$ 30 e US$ 150. Nenhum deles sabia controlar o sistema de gravação e nem em quais momentos estavam sendo gravados.
Todos levaram os gravadores, entre 2 e 10 dias, durante 17 horas - com exceção dos momentos em que praticavam esportes - e os pesquisadores permitiam que eles apagassem as conversas mais particulares, se desejassem.
Os autores do trabalho analisaram a transcrição das conversas, que foram gravadas entre 1998 e 2004, e também comprovaram que os dois sexos utilizam um número parecido de palavras diferentes.
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