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Vaginismo pode ser tratado com terapia comportamental

04/06 - 00:03 - Agência Estado

"Estava casada há dez anos e ainda não tinha consumado o matrimônio. Apesar de me desejar, meu marido só queria me ver bem e, por isso, não me pressionava. Depois de passar por muitos médicos, um sexólogo me diagnosticou com vaginismo".

O depoimento, retirado de um fórum sobre o vaginismo, mostra um caso grave dessa disfunção sexual psicossomática. Cateterizado pela contração involuntária da musculatura externa da vagina, o problema pode dificultar ou até mesmo impedir a relação sexual, além de tornar mais tenso e doloroso o mais simples exame ginecológico.

As raízes do problema costumam ter origem em traumas psicológicos: abuso sexual na infância, formação religiosa rígida, primeira experiência traumática, entre outros. Mas, em alguns casos raros, o bloqueio surge de problemas orgânicos, como um septo congênito na vagina. Neste caso, uma cirurgia pode resolver o problema. Quando a origem é psicológica, a solução está na terapia sexual.

"Em média, dez sessões costumam ter um resultado fantástico", garante o ginecologista e terapeuta sexual Gérson Lopes, consultor em projetos de sexualidade do Fundo das Nações Unidas para População (FNUAP). Nas sessões, a paciente pode também aprender - com figuras ou vídeos - técnicas de relaxamento e dessensibilização, que serão feitas em casa. Duas técnicas utilizadas são o exercício de Jacobson (relaxamento muscular) e o de Kegel (controle da musculatura vaginal). Medicamentos ansiolíticos e antidepressivos podem ajudar a lidar com a ansiedade.

Lopes, que trabalha com sexologia há 23 anos, diz que os parceiros das mulheres que têm vaginismo são, geralmente, bastante compreensivos, porque entendem que o problema surgiu antes do relacionamento. Mesmo assim, é importante que a terapia envolva o casal. "Mulher e homem devem entender o ciclo vicioso que rege essa patologia sexual", completa o terapeuta.

Virgem e grávida?

Algumas mulheres com vaginismo total (ou seja, que nunca tiveram uma relação sexual) conseguem engravidar. E isso não deve ser atribuído a um milagre. "A gravidez pode ocorrer através de coito interfêmoris (entre as pernas)", diz o ginecologista Gérson Lopes. Essas mulheres tendem a apresentar uma gestação tensa, com medo do parto normal. "O tratamento deve ser postergado para depois do parto, que deve ser feito por cesariana."



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