04/05 - 10:32 - Agência Estado
Delegados de mais de 120 países aprovaram hoje as primeiras linhas mestras para conter a crescente emissão de gases causadores do efeito estufa, definindo um arsenal de medidas contra o aquecimento global que devem ser implementadas a fim de evitar uma catastrófica planetária. O relatório final do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), aprovado depois de uma semana de reuniões em Bangcoc, Tailândia, mostrou que o mundo tem de fazer cortes significativos na emissão dos gases através do aumento da eficiência energética em casas e veículos, trocando combustíveis fósseis por renováveis, protegendo as florestas e reformando a agricultura.
O documento frisa que o mundo dispõe da tecnologia e do dinheiro para agir decisivamente em tempo de evitar um grande aumento das temperaturas que, dizem os cientistas, iria extinguir espécies, elevar o nível dos oceanos, provocar caos econômico e precipitar secas em algumas partes e grandes enchentes em outras. O que falta, acrescentaram, é a vontade política.
Polêmica
Na questão mais polêmica, o relatório afirma que o mundo tem de estabilizar a concentração de CO2 na atmosfera em 445 partes por milhão (ppm) até 2015, a fim de evitar que as temperaturas aumentem 2ºC a mais em relação à temperatura pré-Revolução Industrial, ao custo de 3% do PIB mundial. A concentração atual de gás carbônico é de 425 ppm.
Delegados realçaram que a aprovação do relatório deveria enterrar definitivamente argumentos de céticos de que o combate ao aquecimento global é custoso demais, que conteria o desenvolvimento de países pobres ou que o aumento das temperaturas já chegou ao ponto no qual a humanidade não pode fazer mais nada. "Se continuarmos fazendo o que fazemos agora, estaremos muito encrencados", advertiu Ogunlade Davidson, co-presidente do grupo responsável pela finalização do relatório.
Publicidade
Imprensa chinesa praticamente ignora relatório mundial sobre o clima
