04/05 - 02:28, atualizada às 14:23 04/05 - Redação com agências internacionais
BANGCOC - Os próximos 20 a 30 anos serão cruciais nos esforços para diminuir o aquecimento do planeta, anunciou nesta sexta-feira o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que estava reunido desde segunda-feira. O relatório recomenda uma série de medidas para manter o aumento de temperatura abaixo de 2ºC ao ano, a um custo de até 3% do PIB mundial.
Segundo o painel, o mundo dispõe da tecnologia e do dinheiro para agir decisivamente em tempo de evitar um grande aumento das temperaturas globais. O que falta, acrescentaram, é a vontade política.
"Os esforços de atenuação nos próximos 20 a 30 anos terão um grande impacto nas possibilidades de alcançar níveis menores de estabilização das emissões de gases do efeito estufa", afirma o IPCC no texto intitulado "resumo destinado aos que decidem", que foi aprovado em Bangcoc.
Impacto econômico
O relatório recomenda a redução do uso de combustíveis fósseis, a promoção de energias renováveis e uma maior eficiência na agricultura para manter o aumento de temperatura abaixo de 2ºC. No entanto, para atingir a meta proposta, o documento aponta para uma redução de 3% do PIB mundial até 2030.
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| Uso da energia precisa ser disciplinado |
O documento também ressalta que as medidas podem ficar menos eficazes com o aumento do poder aquisitivo dos consumidores. Por isso, os responsáveis pelo resumo insistiram em mais investimentos no transporte público e nas formas de transporte não-motorizado.
"Há um potencial econômico substancial para a atenuação das emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas, o que poderia compensar o crescimento projetado das emissões mundiais ou reduzir as emissões para abaixo dos níveis atuais", afirma o texto.
Redução das emissões
O nível atua de emissões de gases é de 430 partículas de CO2 por milhão, de acordo com os especialistas.
O IPCC diz em seu relatório que a estabilização dos gases causadores do efeito estufa pode ser obtida com as tecnologias existentes e a redução da queima de combustíveis fósseis.
As emissões mundiais destes gases devem alcançar até 2015 um "teto" e diminuir depois, caso se deseje manter o aumento da temperatura média mundial entre + 2°C e + 2,4°C, na melhor das hipóteses.
"Um aumento na temperatura acima de 2ºC ou 3ºC leva a potenciais extinções em massa, problemas sérios nos litorais, desaparecimento de geleiras, derretimento de camadas de gelo", disse o professor Stephen Schneider, da universidade americana de Stanford.
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| Derretimento das geleiras afeta litorais |
O relatório também dá destaque aos recursos florestais, pedindo ajuda financeira para aumentar a área florestal e para reduzir o desmatamento.
No caso dos resíduos, o documento do painel da ONU insiste na melhora de gestão e na atualização das regras sobre o material descartado.
Setor energético
No setor de energia, o relatório recomenda aos governos uma redução dos subsídios aos combustíveis derivados de fósseis, assim como uma série de obrigações para maior utilização de energias de fontes renováveis.
Os autores do texto sugeriram, também, mais impostos sobre a compra e registro de veículos; o uso de combustíveis adequados; e a potencialização de estradas e estacionamentos.
Negociações
O relatório foi elaborado por cientistas e representantes de cerca de 150 países.
Durante os quatro dias de negociações na capital tailandesa, incluindo a madrugada de quinta-feira para sexta-feira, a questão dos custos das medidas que devem ser adotadas para combater o efeito estufa provocou divergências entre os países representados.
As conversas a portas fechadas na sede da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (Cesap) terminaram esta madrugada.
As delegações da China, país que é o segundo maior poluidor do mundo, atrás dos Estados Unidos, e a da Índia foram as que mais se resistiram à recomendação de reduzir a concentração de partículas de CO2.