10/04 - 19:25 - Lenir Camimura - Último Segundo/Santafé Idéias
“A questão do aborto está sendo levantada por grupos que não querem discutir”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Depois de ter sido alvo de uma manifestação contra o aborto, ontem, em Fortaleza, Temporão disse, durante a audiência pública na Câmara dos Deputados, que a legalização do aborto não é o “foco da política de direitos sexuais e reprodutivos”.
O ministro disse que, pessoalmente, não é favorável ao aborto. “Tenho uma criação que é favorável à vida. Sou de uma família extremamente católica. Mas isso não quer dizer que não exista um problema que precisa ser discutido”, disse. De acordo com Temporão, em 2006, foram realizados dois mil procedimentos de abortos legais e mais de 200 mil curetagens (coleta de restos de tecido do útero), sem conhecimento do motivo que levou à necessidade do procedimento, pelo SUS.
Segundo ele, há um problema de saúde pública, uma vez que o número de mulheres que morrem por causa de abortos mal-sucedidos e propôs a discussão pública. Ele criticou, contudo, os grupos de defesa, ou contrários à proposta da legalização do aborto que querem impor seus pontos de vista. “É preciso pensar numa política de acompanhamento das mulheres, porque fingir que elas não passam por problemas físicos e psicológicos em relação ao aborto é hipocrisia”, ressaltou.
O ministro Temporão aproveitou, ainda, para pedir que os parlamentares “olhem com carinho” para propostas como o aumento da licença maternidade, da senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), que tem o objetivo de aumentar, assim, o período de aleitamento materno. Segundo ele, essa medida também faz parte da política de direitos sexuais e reprodutivos, uma vez que atende uma dimensão sócio-afetiva.
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