23/02 - 18:46 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro fará uma representação ao Ministério Público (MP), na próxima semana, para que o órgão fiscalize e modifique o plano de controle da dengue no Estado, feito pelos governos federal, estadual e municipal. Para o sindicato e especialistas, o plano é insuficiente e oferece risco a atletas e turistas que irão aos jogos Pan-Americanos. Representantes governamentais dizem que não há motivo para alarde.
“Vamos fazer uma representação ao Ministério Público na próxima semana, porque entendemos que há uma organização insuficiente para enfrentar uma epidemia”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, cuja intenção é “que o MP seja um mediador entre as três instâncias de governo, com a criação de um fórum para que os projetos de controle da dengue sejam apresentados e reorientados”.
“A ação dos governos têm sido muito na linha da orientação à população para o combate aos criadouros de mosquito. Para nós isso está superado, não tem havido nada além disso”, criticou. Outras críticas específicas do sindicato são a falta de um monitoramento permanente do índice de infestação (por mosquitos) nas diversas regiões da capital; a inexistência de um protocolo (que na linguagem médica significa padronização e sistematização) de atendimento de pacientes com dengue no sistema de saúde, o que aumenta o risco do portador da doença; e a falta de um centro de referência em dengue. “Afirmo que o sistema de saúde não tem a capacidade para atender casos de dengue.
A dengue só é diagnosticada rapidamente se o médico for treinado para isso. Hoje, a orientação do hospital para suspeita de dengue hemorrágica (variação letal da doença) é ’se você tiver sangramentos, vá ao hospital’. Mas essa fase é muito tardia”, reclamou Eraldo Bulhões, diretor do sindicato.
Outros especialistas também ressaltaram o risco da dengue para o Pan. Foi o que declarou o epidemiologista Roberto Medronho à repórter Maria Elisa Alves, na reportagem publicada hoje pelo jornal O Globo. “Se a situação continuar assim, quem corre risco são os turistas e atletas, que estão mais suscetíveis ao mosquito”, afirmou Medronho. O risco se explica pelo fato de turistas de outros países não terem imunização natural ao vírus da dengue do tipo 3, comum no Rio. Ele e Jorge Darze destacaram que o atual índice de infestação do mosquito na cidade é de 6,3%, quando o máximo preconizado pela Organização Mundial da Saúde é 1%.
Levantamentos
As autoridades federais, estaduais e municipais reconheceram que o assunto exige o máximo de atenção e esforços, mas discordam do alerta dos sindicalistas. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta, enfatizou que é perfeitamente possível atingir o nível de 1% de infestação até a época do Pan. “Zerar (o índice) é impossível, mas reduzir drasticamente é possível e o Rio de Janeiro já fez isso em 2006.”, disse.
Ao responder pela parte federal do plano de combate à dengue, o secretário Fabiano Pimenta listou as medidas tomadas para diminuir o risco da doença ao Pan. “Temos manuais de conduta clínica e terapêutica para a dengue e repassamos recursos para secretarias (de Saúde) estaduais e municipais para fazerem esse treinamento”, citou Pimenta, minimizando a denúncia de falta de protocolo para o atendimento. Outra ação apontada pelo secretário é o chamado “levantamento rápido de infestação”, metodologia que será aplicada em março no Rio de Janeiro para produzir um diagnóstico das áreas infestadas.
“Saberemos quais têm índices mais elevados, qual o tipo de criadouro de mosquito predominante... Com isso, poderemos intensificar ações específicas de controle, como colocar mais agentes (mata-mosquitos), fazer campanhas educacionais direcionadas para certas áreas, entre outras”, observou.
A superintendente de Vigilância em Saúde da prefeitura do Rio, Meri Baran, declarou ao jornal O Globo que está preocupada com a situação de Jacarepaguá, zona vizinha da principal área do Pan. Isso porque houve um atraso no “empréstimo” de 1.050 agentes de saúde de outros municípios fluminense para a capital. O superintendente estadual, Victor Berbara, confirmou o fato e disse que algumas prefeituras não querem ceder o pessoal por também terem de combater a doença. Mas Berbara foi otimista nas afirmações ao Globo: “Já chegaram quase 400 (agentes), um bom reforço. No momento isso não está prejudicando”.
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