05/02 - 00:08 - Agência Estado
São Paulo, 01 (AE) - Tema polêmico entre os homens, a calvície incomoda, e muito. O problema é tão constrangedor entre eles que proliferam em todo o País o número de clínicas que oferecem diversos tratamentos para retardar a calvície ou ainda, soluções para disfarçar a falta de cabelo.
Dados da International Society of Hair Restoration Surgery (ISRH), a sociedade de cirurgia de restauração capilar, mostram que a procura por implantes capilares é crescente. A boa notícia é que as técnicas evoluíram e hoje são praticamente imperceptíveis - para a alegria dos homens.
O último censo da entidade revelou que, em 2004, foram realizados 168 mil cirurgias de restauração capilar em todo o mundo, sendo 88 mil só nos Estados Unidos. México, América Central e do Sul, somados, tiveram cerca de 17 mil cirurgias com essa finalidade. O desafio dos profissionais que fazem esse tipo de incisão sempre foi torná-la imperceptível. Os homens têm pavor de ficar com um visual artificial ou, como costumam dizer alguns, com "cabelo de boneca".
Esse pavor, aliás, acaba por afastar vários deles dos consultórios. Muitos preferem a calvície a um implante. Uma grande bobagem na avaliação do engenheiro civil e empresário mineiro Ubiraci de Brito Mota, de 52 anos. Ele já passou por três cirurgias e se diz 100% satisfeito com os resultados. "O trabalho é artesanal, indolor e não fica artificial. O homem quer ficar mais bonito, mas não quer sofrer e essa cirurgia proporciona isso", comemora.
O último implante a que Mota foi submetido aconteceu em agosto do ano passado. Ele foi beneficiado pela técnica Preview Long Hair Follicular Unit Transplantation que, apesar do nome, foi desenvolvida por um brasileiro, o cirurgião plástico mineiro Marcelo Pitchon. Trata-se de um transplante capilar com fios longos, o que possibilita notar o resultado ao final da cirurgia.
Em dois anos que a técnica vem sendo aplicada, quase 100 pessoas já passaram pelas mãos do cirurgião. Pitchon, que trabalha com transplante capilar há 15 anos, lembra que a principal função desse tipo de procedimento é devolver a auto-estima ao paciente. "Nós temos uma situação facial que fica alterada pela perda de cabelo. Qualquer coisa que começamos resgatar gradualmente, ou não, agrega valor de imagem. O paciente calvo não está em busca somente de cabelo, mas sim da auto-estima e da melhora da imagem dele."
A cirurgia convencional usa fios raspados, ou seja, o paciente não tem a noção exata de como ficará o visual quando os fios crescerem. E essa é a grande diferença entre os dois métodos. "O transplante com fio longo não tem diferença de eficácia com o convencional. É um detalhe artístico externo, mas ele vem mostrar que já existe tecnologia de transplante que permite fazer um trabalho que a pessoa enxerga o resultado na hora", explica Pitchon.
Sem dor
O transplante capilar é feito com anestesia local. O paciente fica acordado e pode opinar no momento em que o especialista implanta os fios. "As duas primeiras cirurgias que fiz foram com fios raspados. A última fiz com fio longo. O resultado é igual, mas durante a cirurgia você vê como ficará o resultado após nove meses. O trabalho é perfeito, quando mostro para as pessoas e digo que é implante, ninguém acredita", afirma o engenheiro Mota.
Um ponto importante ressaltado por Mota é em relação aos resultados do procedimento. "Meu cabelo é fino, então o resultado foi discreto. Houve diferença, mas tinha consciência de que não ficaria 'cabeludo'", lembra. Quando ele se refere ao resultado após nove meses, é porque os fios implantados caem gradativamente no período de um mês após a cirurgia e voltam a crescer, obedecendo ao ciclo natural, algo que vai de três a quatro meses. "O mais importante é o paciente confirmar a qualidade do trabalho. Ele sabe como vai ficar. Outra vantagem é que o fio longo protege a cirurgia do sol", informa Pitchon.
Após ser submetido ao transplante capilar, é natural o aparecimento de crostas na cabeça - semelhante ao aspecto de pele ralada que desaparece em até 15 dias. Com os fios raspados, o paciente deve evitar a exposição solar, já com os fios longos, ele fica livre dessa preocupação.
Interesse estrangeiro
A técnica do cirurgião mineiro chamou a atenção no exterior. Na semana passada, um grupo de especialistas em transplante capilar dos Estados Unidos esteve na clínica de Pitchon, em Belo Horizonte (MG), para aprender o procedimento. Um deles, o cirurgião dermatológico Edmond Griffin, que atua na Geórgia, tem 30 anos de experiência na área. Ele acredita que, em algum tempo, os pacientes passarão a exigir a técnica do fio longo pela possibilidade de interação no momento da cirurgia.
No entanto, Griffin vê com reserva a vantagem da técnica: que é ver o resultado ao final da cirurgia. "Ao final da cirurgia o paciente visualiza o máximo da expectativa que tinha e tem uma noção mais cedo do resultado final. A desvantagem é que pode ocorrer de o volume de cabelo (após o período de 9 meses) ser inferior ao que ele visualizou no momento da cirurgia e ficar desapontado", informa. Com isso, o médico teria o desafio de explicar ao paciente o porquê do resultado final ter sido inferior ao assistido no dia do procedimento.
Processo complexo
Embora seja um procedimento mais ligado à vaidade do paciente, a complexidade que o envolve é alta. A pele é um dos órgãos mais complicados em termos de imunologia e o cabelo é parte integrante desse órgão. O cirurgião Marcelo Pitchon explica que para se fazer um transplante de pele, o trabalho de imunologia precisa ser forte e contínuo. E a regra vale para cabelo.
Por isso, os transplantes capilares são autólogos, ou seja, usam fios do próprio paciente. "O calvo é aquele que tem a testa grande e esse problema vai aumentando com o tempo", explica o cirurgião. Ele ainda avisa que, por mais avançado que seja o grau da calvície, a pessoa sempre terá uma faixa de cabelo de onde serão extraídos os fios para o implante.
História do transplante
As técnicas de transplante de cabelo têm quase 200 anos de história. Nesse tempo, os procedimentos evoluíram muito e, hoje, oferecem qualidade de segurança aos interessados. O grande salto na história dos transplantes capilares aconteceu entre os anos de 1988 e 1994, com a criação do implante folicular pelo cirurgião plástico norte-americano Bob Limmer.
Um dos maiores ganhos foi minimizar ou anular a perda de fios por uma manipulação imprecisa. Essa melhora foi possibilitada com o uso do microscópio em todo o processo.
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