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Aquecimento é irreversível e pode chegar a 4 graus neste século, diz ONU

02/02 - 07:51 - Redação com agências internacionais

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado na manhã desta sexta-feira, afirma que o aquecimento climático da Terra é irreversível devido às emissões de gases do efeito estufa na era industrial, e, em função da ação humana, o aumento ficará, neste século, entre 1,8 e 4 graus Celsius, embora não esteja descartado outro salto ainda maior, até 6,4 graus.

 

"Agora temos uma certeza maior do que está acontecendo" que no estudo anterior, de 2001, afirmou a co-presidente do grupo encarregado do trabalho, Susan Solomon.

Na mais otimista das estimativas, sob a condição de haver uma rápida mudança nas estruturas econômicas para torná-las sustentáveis, o aumento seria de 1,1 grau até 2100 comparado às temperaturas constatadas no período 1980-2000, abaixo do limite de 2 graus, a partir do qual os cientistas consideram que as conseqüências seriam incontroláveis.

Mas, se a população e a economia continuarem crescendo rapidamente e se for mantido o consumo intenso das energias fósseis, a alta poderia chegar a 6,4 graus Celsius.

Nível dos oceanos

O texto ainda afirma que o nível médio dos oceanos do mundo deve subir até 59 centímetros ao longo deste século, mas é possível que o aumento seja ainda maior dependendo do degelo da Groenlândia e da Antártida. Além disso, o documento culpa a ação do homem pelo aquecimento global e prevê um cenário de catástrofe ambiental, se medidas urgentes não forem adotadas.

De acordo com o texto, o mar deve subir entre 18 e 59 centímetros, uma previsão menos vaga que a de 2001, que previa um aumento de 9 a 88 centímetros. O relatório diz que agora há uma melhor compreensão da expansão da água devido ao aquecimento.

O relatório ainda informa que “valores maiores não podem ser excluídos”, e que é impossível apresentar uma estimativa melhor do aumento do nível do mar por causa da falta de compreensão sobre as camadas de gelo que cobrem as terras da Antártida e da Groenlândia.

De acordo com os especialistas do IPCC, o aquecimento do planeta se deve, com 90% de probabilidade, às emissões de dióxido de carbono causadas pelo homem.

O IPCC afirmou ainda que as emissões passadas e futuras de CO2 continuarão contribuindo para o aquecimento global e a elevação do nível dos mares durante mais de um milênio, levando em consideração sua permanência na atmosfera.

A reunião na capital francesa de 500 especialistas do grupo, criado em 1988 pela ONU e a Organização Meteorológica Mundial com o objetivo de servir de mediador entre os cientistas e os governantes, é a conclusão de mais de dois anos de trabalho.

As previsões descritas no "Resumo para os Formuladores de Políticas", que integra a primeira parte do relatório "Mudanças Climáticas 2007" devem orientar os comportamentos dos Estados em termos de meio ambiente nos próximos anos.

Panorama assustador

Os cientistas montaram um quadro assustador para os próximos cem anos com as conseqüências das mudanças climáticas, com variações que vão de um a cinco graus.

Com um aumento de um grau, por exemplo, os cientistas prevêem a morte de 80 por cento dos recifes de coral, em especial a Grande Barreira de Corais.

Com dois graus a mais, a previsão é de 40 milhões a 60 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África.

Os cientistas calculam Entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas a mais morrem de desnutrição para um aumento de três graus e até 80 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África com aumento de quatro graus.

Um aumento de cinco graus ameaçaria, pela elevação dos oceanos, as pequenas ilhas, as áreas costeiras como o Estado da Flórida e grandes cidades como Nova York, Londres e Tóquio.

 

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