Zahi Hawass é demitido do Ministério de Antiguidades egípcio

Arqueólogo, famoso em todo mundo, foi retirado do cargo após meses de pressão dos opositores do regime de Housni Mubarak

iG São Paulo |

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Zahi Hawass, em foto de 2009,em seus trajes típicos: mais autopromoção do que arqueologia
O ministro de Antiguidades do Egito, Zahi Hawss, 64 anos, uma das personalidades egípcias mais conhecidas do mundo, foi demitido de seu cargo no domingo (17) após meses de pressão de críticos que atacavam sua credibilidade e o acusavam de ser próximo demais do regime de Housni Mubarak.

Conhecido nos círculos arqueológicos por gostar mais de publicidade do que de ciência, Hawass perdeu seu cargo junto com outros doze ministros, numa manobra de apaziguamento de manifestantes que pedem o expurgo dos resquícios do governo de Mubarak.

“Ele era o Mubarak das antiguidades”, afirmou a ativista e arqueóloga Nora Shalaby. “Agia como se fosse dono da arqueologia do país, e não como se ela pertencesse ao povo egípcio”.

Apesar das críticas, Hawass era creditado por aumentar o interesse na arqueologia e turismo egípcios, um dos pilares da economia do país. Mas especialistas afirmavam que não havia pesquisa séria por trás de seu trabalho.

Segundo Nora, Hawass não aceitava críticas a seu trabalho. Ela disse que suas descobertas eram mais para sua auto-promoção, “reciclando” algumas descobertas antigas atrás de notoriedade para si mesmo.

Ele se autoproclamava “guardião” da herança cultural egípcia. Em 2009, em uma entrevista a uma revista do país, afirmou que George Lucas, criador da série de cinema “Indiana Jones” teria ido visitá-lo no Egito “para conhecer o verdadeiro Indiana Jones”.

Hawass começou como inspetor de antiguidades em 1969, e sua carreira evoluiu até ser um dos nomes mais conhecidos no ramo da egiptologia. Tornou-se o diretor geral de antiguidades da região de Gizé no fim dos anos 1980, antes de ser alçado ao cargo de maior arqueólogo do Egito em 2002. Um dos últimos atos de Mubarak foi elevar sua posição à de um ministro de gabinete. Após a queda do presidente, Hawass ofereceu sua demissão mas foi recolocado ao cargo, até ser finalmente demitido ontem.

Hawass foi associado à maioria das escavações arqueológicas no Egito, com descobertas grandiosas como a escavação do Vale das Múmias do Oásis Bahariya em 1999 e o descobrimento da múmia da rainha Hatshepsut, cerca de dez anos mais tarde.

Ele era figura freqüente em programas científicos na TV. O Discovery Channel o acompanhou durante o achado de Hatshepsut, e chegou a ter um reality show em outro canal de TV a cabo. Uma de suas maiores campanhas era o repatriamento de artefatos egípcios levados a outros países durante a época colonial, recuperando cerca de 5000 peças. Um dos casos mais recentes foi a campanha pela recuperação de um busto da rainha Nefertiti de 3300 anos, exibido há décadas em um museu de Berlim.

Hawass também tinha uma linha de roupas, inclusive de seu chapéu (sua marca registrada), cujas fotos promocionais foram tiradas no Museu Egípcio, o que atraiu a ira de muitos arqueólogos. “Ele foi uma personalidade criada pela mídia,” afirmou Abdel-Halim Andel-Nour, presidente da Associação de Arqueólogos Egípcios.

Hawass foi subistituído por Abdel-Fattah el-Banna, um professor de restauração conhecido da mídia egípcia por sua participação nos protestos na praça Tahrir.

(Com informações da AP)

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