Vida urbana afeta cérebro humano, diz estudo

Estresse de crescer e viver na cidade ativa áreas específicas relacionadas ao processamento de emoções

Alessandro Greco, especial para o iG |

Cada vez mais a população mundial vive em centros urbanos. Atualmente mais de 50% da população mundial habitam cidades e em 2050 este número deve chegar a perto dos 70%, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Crescer e viver em cidades afetam áreas específicas do cérebro
Um estudo publicado nesta quarta-feira (22) mostra que a vida urbana afeta o cérebro, mostrando a relação entre a ativação de duas regiões do cérebro e o fato das pessoas terem crescido ou viverem em cidades. “Basicamente a atividade cerebral em situações de estresse está ligada a urbanicidade [o fato de viver na cidade]”, afirmou ao iG Andreas Meyer-Linderberg, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, principal autor da pesquisa, publicado no periódico especializado Nature.

Estudos anteriores já haviam mostrado que a saúde mental das pessoas é afetada negativamente pela vida urbana. Problemas relacionados a ansiedade, por exemplo, são mais prevalentes em pessoas que vivem em cidades e a incidência de esquizofrenia é maior em pessoas nascidas e criadas em regiões urbanas, mas ninguém havia ainda buscado medir os processos neurais por detrás deles.

Meyer-Linderberg tomou exatamente esta direção: coletar dados da reação do cérebro a situações de estresse. Em conjunto com um grupo de pesquisadores, ele analisou o que ocorria com o cérebro de estudantes alemães enquanto estes realizavam testes matemáticos e recebiam feedback positivo ou negativo.

Ao serem submetidos à situação de estresse (feedback negativo), o cérebro dos jovens que haviam crescido em cidades ou que vivem em centros urbanos ficou mais ativo do que os que crescerem ou vivem em áreas rurais. Em especial, a diferença se deu em duas áreas relacionadas ao processamento das emoções, a amigdala (no caso dos que cresceram nas cidades) e o córtex cingulado anterior (no caso dos que habitam nelas). Ou seja: crescer e viver em áreas urbanas afeta a forma como os neurônios processam o estresse.

A descoberta foi feita com base em imagens produzidas por ressonância magnética funcional, uma técnica de visualização de ativação do cérebro em tempo real. O próximo passo, segundo Ralph Adolphs, neurobiólogo do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, é fazer um estudo maior que consiga medir mais variáveis e tentar mostrar uma relação causal entre a atividade cerebral e aspectos mais específicos da vida na cidade. “Esses estudos poderiam, por exemplo medir a [...] frequência de encontros com estranhos, densidade populacional, quantidade de espaço e tipo de habitação”, afirmou ele em artigo que acompanha a pesquisa.

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