"Vi quando colocaram as máscaras para combater o fogo", diz militar

Tenente diz ter visto os dois companheiros que morreram na explosão colocando os equipamentos

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Reprodução
Tenente Pablo Tinoco, 25 anos, estava na base brasileira na Antartica e ajudou no combate ao fogo

O 1° Tenente Pablo Tinoco conversava com amigos na internet quando a calmaria trazida pelo frio em um dos lugares mais inóspitos do mundo foi interrompida com o barulho de uma explosão.

“Era madrugada, fazia muito frio e minha equipe já dormia. Quando vi que se tratava de um incêndio, acordei a todos e pedi que colocassem as roupas adequadas. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, até mesmo quando não tínhamos mais recursos continuamos tentando”, afirmou ao iG.

O oficial, que está há dois anos na Marinha, era encarregado do setor de construção e manutenção da base Antártica Comandante Ferraz.

Segundo Tinoco, treinamentos de combate ao fogo eram rotineiros, sendo o mais recente tendo sido realizado na última segunda-feira (21). Mesmo assim, relatou que militares chegaram a ter hipotermia na ânsia de combater as chamas.

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“Alguns entraram na água que precisava ser bombeada sem roupa adequada e, como ela estava entre 1 e 3°C, acabaram tendo hipotermia. Mas foram imediatamente socorridos e passam bem”, disse.

Tinoco contou que viu o momento em que o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto Lopes dos Santos, mortos no incêndio, se equipavam para combater o fogo.

“Vi quando colocaram as máscaras e as lanternas e se dirigiram ao local onde fica a casa de máquinas. Eles eram dois militares experientes e responsáveis e, graças a eles, o insucesso não foi maior”. O oficial, no entanto, não observou se eles estavam amarrados à uma corda - procedimento padrão de segurança para serem puxados caso não conseguissem achar a saída.

"Não vi o momento exato em que eles entraram, então, não os vi sendo amarrados à corda pois estava em outro local. Mas sei que todos os procedimentos de segurança foram adotados. Alguma coisa aconteceu e eles não conseguiram sair", disse.

Segundo Tinoco, como a preocupação principal era preservar os pesquisadores que estavam na base. Após quase 8h de incêndio, os cientistas foram embarcados para o Chile.

“As pesquisas podem ser refeitas, mas a estação se queimou e levou o sonho de dois grandes homens”, desabafou.

De acordo com a Marinha, 70% da base foi destruída . Os corpos dos dois militares mortos devem chegar nesta terça-feira (28) ao Rio de Janeiro.

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