Vespas reconhecem rosto uma das outras

Espécie vive em colônias com diversas rainhas e capacidade é uma questão de sobrevivência

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Diferentes: os padrões individuais de cada rosto é usado para identificação
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Pesquisadores agora querem descobrir se a capacidade de reconhecer faces está associada a área específica do cérebro
Uma espécie de vespa que vive em colônias com diversas rainhas consegue reconhecer o rosto de suas colegas de casa. A descoberta foi publicada recentemente no periódico científico Science pelos pesquisadores Michael Sheehan e Elizabeth Tibbetts da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

O motivo para a habilidade tão específica da vespa-de-papel, conhecida como Polistes fuscatus é simples: saber quem chefia a colônia é uma questão de sobrevivência. “Em casos em que há diversas rainhas, as rainhas competem para ver quem é mais dominante. Isso determina o quanto elas irão se reproduzir e trabalhar. A rainha mais no topo do ranking irá se reproduzir muito e trabalhar pouco enquanto as inferiores trabalharão muito e se reproduzirão pouco. Dentro desses grupos há muito conflito, então saber quem é dominante e quem é subordinado é um fator importante”, explicou Sheehan ao iG .

O mesmo tipo de habilidade não aparece em uma espécie muito semelhante de vespa, a Polistes metricus que tem apenas uma rainha em sua colônia. “É surpreendente que haja uma diferença tão clara [...] entre as duas espécies de vespas. A Polistes fuscatus e a Polistes metricus estão muito relacionadas e têm estilos de vida e histórias muito semelhantes. É um pouco surpreendente, então, que haja tanta diferença no aprendizado visual apenas no caso dos rostos”, afirmou Sheehan.

Para chegar a este resultado, os pesquisadores colocaram os dois tipos de vespas em uma gaiola e mostraram duas imagens diferentes para elas. Uma delas, de uma colega da mesma espécie e outra que não tinha nada a ver com vespas. As Polistes fuscatus foram muito mais rápidas em reconhecer suas pares do que as Polistes metricus .

Um dos próximos passos do trabalho será examinar se a capacidade de reconhecer faces está associada a alguma área específica do cérebro da vespa. “Em humanos o reconhecimento de faces está associado com uma região particular do cérebro chamado giro fusiforme. Essa capacidade nas vespas também pode estar ligada a uma região específica, mas apenas pesquisas no futuro irão nos dizer se é isso mesmo”, completou Sheehan.

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