Vem aí a gasolina de alga

Empresas e governo dos EUA voltam a apostar no uso das algas como fonte renovável de energia

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Biodiesel poderá ser produzidos a partir de algas como a microscópica Lyngbya da foto
Elas são abundantes no mar e nos rios e parte importante da cadeia alimentar. Mas em breve elas podem estar no tanque de carros, caminhões e até aviões, no que depender do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE, na sigla em inglês). No fim de junho, a entidade publicou um relatório no qual reafirma seu incentivo e interesse no uso de algas para fazer biocombustíveis.

Os conceitos básicos do uso de algas como uma fonte de alternativa e renovável de energia são estudados pelo DOE há mais de 30 anos, mas uma tecnologia sustentável e comercialmente viável ainda precisa ser criada. “Provavelmente serão necessários muitos anos de ciência e engenharia básica e aplicada para alcançar uma produção comercial sustentável de combustíveis feitos de alga”, afirma o documento que destrincha o estado da arte da tecnologia atual e aponta caminhos a serem seguidos.

O termo algas refere-se aqui, na verdade, a três tipos diferentes de seres aquáticos: microalgas, macroalgas e “algas azuis” (reclassificadas modernamente como cianobacterias). Em certas condições, que incluem modificação genética, exposição solar e alimentação em ambientes de escuridão total, elas produzem uma grande quantidade de lipídios (moléculas compostas de ccarbono, hidrogênio e oxigênio) que podem então ser transformadas em biodiesel, gasolina e combustível de aviação. O processo de conversão é feito através de reações químicas.

Vantagens e obstáculos
As vantagens são diversas. Primeiro, a produtividade por área é alta. Segundo, não há competição por espaço com outras culturas que servem de alimento, como é o caso da cana de açúcar. Terceiro, pode-se usar a diversos tipos de água para cultivar as algas. Quarto, além de biocombustíveis pode-se produzir outros produtos, por exemplo, para alimentação animal e corantes naturais. E quinto, mas não menos importante, potencial de reciclagem de dióxido de carbono (comsumido pelas algas, que por sua vez liberam oxigênio na atmosfera)
Todo o potencial teórico das algas esbarra em questões complexas, embora equacionáveis. Uma delas é como produzi-las em escala comercial. A solução, segundo o relatório, será usar uma combinação, com a criação das novas tecnologias necessárias, dos três processos atuais (químico, bioquímico e termoquímico).

Investimentos
Os desafios, no entanto, não desanimam o DOE -- nem as empresas. No mesmo dia da publicação do relatório, que ficou um ano em consulta pública, o DOE anunciou que irá investir US$ 24 milhões em três consórcios de pesquisa público-privados. Cada um irá trabalhar em uma área específica da cadeia de produção necessária para transformar algas em biocombustíveis.

O primeiro, The Sustainable Algal Biofuels Consortium, será liderado pela Universidade do Estado do Arizona para testar bicombustíveis de algas como substitutos para produtos derivados de petróleo. O segundo, The Consortium for Algal Biofuels Commercialization, terá como líder a Universidade da California em San Diego, e irá estudar algas como matéria-prima. E o terceiro, com liderança da empresa Cellana, uma joint-venture da Shell e da HR BioPetroleum, irá pesquisar o crescimento de microalgas em larga escala em água do mar no Havaí.

Uma das conclusões do relatório do DOE é que o uso de algas como biocombustíveis depende não apenas de uma tecnologia, mas de um conjunto delas que precisa ser integrada em um processo de produção em escala para que possa se concretizar.

Do lado puramente privado, os números mostram o tamanho do interesse na área. Segundo estimativas da Associação das Indústrias de Biotecnologia (BIO, na sigla em inglês) mais de US$ 1 bilhão em investimentos privados foram alocados na pesquisa com algas nos últimos anos, inclusive um negócio de US$ 600 milhões feito pela ExxonMobil em parceria com a Synthetic Genomics, fundada por Craig Venter.
O link para o pdf do relatório (em inglês) está aqui .

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