Unesp ganha 1º lugar entre colaboradores do LHC

Computadores da universidade são considerados os melhores entre os que colaboram com o acelerador de partículas

Thiago André, especial para o iG |

Está em alta a participação brasileira no maior e mais ambicioso experimento de física experimental do mundo, o acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider, na sigla em inglês), construído pela Organização Européia para a Pesquisa Nuclear (Cern) em Genebra, na Suíça, com a colaboração de cientistas de mais de 180 institutos de pesquisas de diversos países.

Nos meses de abril e maio, o cluster (conjunto de computadores) do Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace), vinculado à Universidade Estadual Paulista (Unesp), apresentou a melhor qualidade de serviços prestados ao LHC, ocupando, por isso, a primeira posição entre os 161 clusters de todo o mundo que colaboram no processamento dos dados do equipamento. Os computadores da Unesp estão instalados no Instituto de Física Teórica, no campus da Barra Funda, em São Paulo.

“Como a estrutura do LHC precisa operar em conjunto e de forma coesa, todos os conjuntos de computadores são monitorados 24 horas por dia. E nos dois últimos meses, o cluster da Unesp apresentou a melhor disponibilidade para uso, podendo receber trabalhos de diferentes complexidades e de qualquer centro de pesquisa do mundo”, explica Sérgio Ferraz Novaes, coordenador do Sprace e professor da Unesp.

O Sprace ficou à frente de entidades consagradas na área, como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o Instituto de Tecnologia da Califórnia e o Centro de Computação de San Diego, todos nos Estados Unidos. Os computadores da Unesp na Barra Funda, que contam com uma conexão internacional de 10 giga bits por segundo (Gbps), participam de um dos quatro experimentos realizados no LHC e, com isso, os pesquisadores da universidade conseguem monitorar em tempo real as experiências realizadas em Genebra.

“Essa posição de destaque de uma universidade brasileira demonstra que o país está conseguindo atuar, tanto do ponto de vista da ciência básica como também no que diz respeito a outras aplicações tecnológicas mais avançadas, de igual para igual com as centenas de instituições de pesquisa dos mais de 40 países participantes do LHC”, complementa o pesquisador.

Construído durante duas décadas, o LHC é um acelerador de prótons com 27 quilômetros de comprimento, situado a 100 metros abaixo da superfície. O Sprace participa do CMS (Solenoide Compacto de Múon, na sigla em inglês), um dos quatro experimentos realizados no LHC. Juntos, eles deverão responder algumas das principais questões da ciência ao investigar as partículas elementares da matéria e replicar fenômenos que ocorreram durante o Big Bang, a explosão que teria dado origem ao Universo há 13,7 bilhões de anos.

O CMS, mais especificamente, é um experimento de propósito mais geral que abrange quase todos os tópicos da física de partículas, dando ênfase à procura do bóson de Higgs. Proposta pelo físico Peter Higgs em 1964, o bóson de Higgs é uma partícula hipotética que, se comprovada sua existência, poderá ajudar a explicar mais detalhadamente a estrutura fundamental da matéria.

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