Troca de genes tornou camundongo doméstico resistente a veneno

Cientistas acreditam que miscigenação de espécies causou resistência, mas que ela ainda está confinada a alguns poucos países

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Camundongo doméstico: mutação específica causa resistência a raticida na Europa
Camundongos domésticos com uma mutação genética se tornaram resistentes a um dos venenos mais comuns utilizados para exterminá-los, a varfarina. A mutação, segundo os cientistas, foi causada pela miscigenação entre duas espécies, o Mus musculus domesticus e o Mus spretus . O primeiro é o camundongo mais utilizado em pesquisas científicas e também é vendido como animal de estimação. Já o segundo é uma espécie selvagem encontrada no norte da África e no oeste do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França).

Os Mus musculs domesticus analisados, que vieram da Espanha, se tornaram resistentes mediante a modificação em um gene chamado vkorc1 presente em todos os mamíferos. A existência da resistência no Mus spretus já havia sido identificada e acontece via mutação espontânea do mesmo gene durante a replicação do DNA.

Agora, o caso do camundongo doméstico deixou os pesquisadores absolutamente surpresos. “Já estávamos impressionados com o fato de esta resistência ter se desenvolvido usando o caminho no gene vkorc1. Agora descobrir que esta resistência se desenvolveu, no mínimo, duas vezes nos camundongos via o mesmo gene, mas de maneira totalmente diferente foi realmente surpreendente”, afirmou ao iG Michael Kohn, da Universidade de Rice, Estados Unidos, principal autor da pesquisa.

A má notícia é que a existência de um segundo mecanismo para adquirir resistência basicamente melhorou as chances dos camundongos de sobreviverem aos estratagemas humanos para extingui-los. A boa é que os camundongos híbridos parecem não ter se espalhado pelo mundo – ainda. “Dado o fato de quão comum é transportá-los sem querer em navios, não ficaria surpreso de encontrá-los em algum momento do futuro em outros locais. No momento, porém, a presença deles parece limitada pois isto tudo aconteceu recentemente. Não conseguimos encontrá-lo na Inglaterra, Itália ou Grécia [..] Acredito, porém, que eles já se espalharam mais do que imaginamos. Por exemplo, é provável que estejam na França e na Suiça, países que ficam entre a Espanha e a Alemanha”, explicou Kohn.

O trabalho foi publicado recentemente no periódico científico Current Biology.

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