Trânsito mata mais que malária, mas é ignorado por ONGs--estudo

Por Daniel Flynn ROMA (Reuters) - Mais pessoas morrem de acidentes de trânsito do que de malária anualmente no mundo em desenvolvimento, mas o problema da segurança viária é ignorado por grupos de ajuda humanitária e instituições internacionais, apontou um relatório na terça-feira.

Reuters |

O estudo, chamado "Make Roads Safe: A Decade of Action for Road Safety" ("torne as vias seguras: uma década de ação para a segurança no trânsito"), concluiu que 300 milhões de dólares gastos globalmente no melhoramento das estradas, em campanhas para conscientizar a população e em mais regras de trânsito poderiam salvar 5 milhões de vidas entre 2010 e 2020.

Hoje em dia 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de acidentes de trânsito no mundo, em sua maioria nos países de renda média e baixa. Prevê-se que o número suba para 1,9 milhão até 2020.

"Agências de ajuda humanitária, ONGs pró-desenvolvimento, fundações filantrópicas e instituições internacionais importantes continuam a negligenciar ou ignorar esse problema crescente", diz o relatório.

Estima-se em 100 bilhões de dólares anuais o custo dos acidentes rodoviários no mundo em desenvolvimento - o equivalente a toda a ajuda internacional proveniente dos países desenvolvidos da OECD.

A Comissão para Segurança no Trânsito, fundada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que regulamenta o automobilismo mundial, lançou o relatório em Roma na terça-feira na presença do piloto de Fórmula 1 Felipe Massa.

A comissão pediu por uma campanha na Organização das Nações Unidas (ONU) para reduzir o número de mortes nas estradas para menos de 1 milhão até 2020.

"Fazendo pequenas melhorias podemos salvar muitas vidas", disse Massa à Reuters, citando pontos como dirigir após consumir bebida alcoólica e as condições precárias de muitos carros antigos. "A velocidade, certamente, é importante... Meu trabalho é ir rápido, mas apenas nas pistas de corrida."

BENEFÍCIOS ECONÔMICOS

A segurança no trânsito poderia representar um incremento econômico significativo para os países pobres. Cada dólar gasto em segurança viária no mundo em desenvolvimento economizaria até 20 dólares com o aumento da produtividade, melhoria na saúde e lucros maiores, conclui o relatório.

O documento pede que governos presentes à primeira conferência da ONU sobre segurança no trânsito, que ocorre em novembro em Moscou, apóiem uma série de medidas específicas, como regras globais tornando obrigatórios os capacetes para os motociclistas e os cintos de segurança para passageiros e motoristas até 2020.

Os acidentes de trânsito já são a principal causa de morte em todo o mundo para jovens entre 10 e 24 anos. No mundo em desenvolvimento, deve se tornar a principal causa de morte para crianças entre 5 e 14 anos até 2014, ultrapassando desnutrição e doenças infecciosas, indica o relatório.

Em comparação, a malária mata cerca de 1 milhão de pessoas por ano - 90 por cento delas na África.

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