Teste de DNA gera reviravolta em caso centenário de assassinato

Pedaço de pele utilizado para condenar à forca o médico Hawley Crippen pela morte da esposa não pertencia a ela

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Hawley Crippen (1862-1910): pedaço de pele usado para condenar ao médico não era da vítima
Em 1910, o médico homeopata americano Hawley Crippen foi enforcado por ter matado sua mulher, Cora, com requintes de crueldade na casa dos dois em Londres e embarcado em um navio com a amante para o Canadá. A história rendeu diversos livros e filmes, que contam com lances espetaculares como a prisão de Crippen e da amante pela Scotland Yard dentro do navio e detalhes sórdidos como o fato de Crippen ter friamente esquartejado e enterrado pedaços do corpo de Cora no porão. A prova utilizada para condenar Crippen foi um pedaço de pele de abdome com uma cicatriz que pertenceria a Cora encontrado no local e que o patologista Bernard Spilsbury afirmou ser consistente com a história médica da vítima. Outras partes do corpo de Cora nunca foram encontradas.

Cem anos depois, a história contada pelo DNA do tecido é outra. Ele não pertencia a Cora e nem sequer a uma mulher. Era de um homem, segundo análise liderada pelo especialista em ciência forense David Foran da Universidade Estadual de Michigan. “A evidência usada para condená-lo [Hawley Crippen] sempre foi, de certa forma, suspeita para os padrões atuais. Era interessante verificar se os restos realmente pertenciam à Cora”, afirmou Foran ao iG .

A tarefa de checar a quem pertencia o tecido foi árdua. O caso tem mais de cem anos e foi necessário conseguir basicamente duas informações para realizar o teste de DNA. A primeira eram descendentes femininas de Cora para analisar o DNA que é passado apenas pela linha materna, chamado DNA mitocondrial e que fica melhor preservado ao longo dos anos do que o DNA do núcleo das células. E, a segunda, uma amostra da prova original, de 1910. "Beth Wills, do nosso grupo, demorou cinco anos para encontrar as parentes. Uma vez que conseguimos amostras de DNA delas foram necessários mais dois anos para obter e testar um dos slides usados pelo Dr. Spilsbury para identificar os restos da Cora no julgamento. O London Royal Hospital Museum foi bacana o suficiente de nos emprestar um deles”, explicou Foran. E completou: “Um ponto-chave neste caso, que você não achará em provavelmente nenhum outro caso tão antigo, é que a evidência estava disponível, guardada em um museu e em ótimas condições.”

O misto de investigação científica e arqueologia realizada por Foran e seus colegas foi publicado no Journal of Forensic Sciences, um dos mais respeitados periódicos de ciência forense. Crippen foi para a forca jurando inocência. Se ele era culpado ou inocente não é possível afirmar, mas, segundo a tecnologia existente atualmente, a prova usada para levá-lo à forca não pertencia a Cora.

Em 2011, o artigo científico foi publicado no periódico Journal of Forensic Sciences com o resultado de anos de pesquisa de David Foran.

    Leia tudo sobre: hawley crippenassassinatodna

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG