Terra esférica ou deformada: ambas estão certas, dizem astrônomos

Diferentes representações do planeta têm a ver com escala com que são feitas

iG São Paulo |

JPL/Nasa
Terra vista da Lua, durante missão Apollo 11: distância facilita o círculo perfeito
Uma animação divulgada ontem (31) pela agência espacial européia (ESA, na sigla em inglês) mostrou pela primeira vez a variação da força da gravidade na Terra e como ela deforma o planeta. A escala em que o modelo foi apresentado dá a impressão que a Terra é muito mais deformada do que é, na realidade, mas isso foi proposital, segundo os cientistas.

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Representação do planeta com as ações da gravidade: geoide mais deformado que o normal
“É apenas um modelo que aumenta a escala para destacar o que se quer mostrar. Se em vez de colocar nele a representação da gravidade, colocássemos a da altitude, os Andes apareciam como um calombo e o Oceano Pacífico como uma depressão”, explicou ao iG João Steiner, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG).

A deformação parece tão grande porque foi feita um aumento de escala em uma direção apenas, a do raio da Terra. “A altura dos Andes e do Pacífico são cerca de mil vezes menores do que o raio da Terra. Se você fizesse uma foto da Terra do espaço e multiplicasse por 100 a altura dos Andes e do Pacífico nessa direção, você começaria a enxergá-los pois eles passaram a ter 10% do raio da do planeta.”, afirmou Steiner.

O fato de ter sido feita uma mudança na escala, no entanto, não altera o fato de que a Terra é um geoide, nome que os cientistas dão ao formato real do planeta, irregular e com a massa distribuída de maneira desigual.

Não muda também o fato de que ao tirar fotos do espaço, como aconteceu com a pioneira Apolo 11, a Terra pareça totalmente redonda. Nelas, os picos e depressões estão amenizados devido à distância e a não haver uma deformação em um eixo único. Agora se a imagem fosse aumentada apenas na direção do eixo do nosso planeta, eles apareciam muito mais destacados.

O novo modelo da Terra vai auxiliar na compreensão do comportamento do planeta, marés e movimentos sísmicos. Os dados foram obtidos pelo satélite GOCE (sigla em inglês para Explorador de Circulação Oceânica e Campos de Gravidade), lançado em 2009. As cores frias, puxando para o azul, indicam onde a gravidade é mais fraca. As quentes, variando do vermelho ao amarelo, onde ela é mais forte.

(Com reportagem de Alessandro Greco, especial para o iG )

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