Susto e família afetam criação e retenção de memórias

Estudos mostram mecanismo neurológico por detrás da criação de falsas memórias em grupos e o papel do susto na fixação da memória

Alessandro Greco, especial para o iG |

De acordo com novos estudo científicos, as situações pelas quais passamos na vida diária e as pessoas com quem convivemos afetam – e muito – nossa memória. Um deles ajuda a explicar o que acontece no cérebro na criação de falsas memórias, em especial sob influência da opinião de outras pessoas.

No trabalho, Micah Edelson, do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e colegas mostraram a grupos de voluntários um documentário. Três dias depois, aplicaram uma prova sobre o que havia se passado no filme. Passados mais quatro dias, os cientistas  aplicaram novamente outra prova, mas desta vez deram aos voluntários informações incorretas sobre o documentário, levando-os a acreditar que estas haviam sido fornecidas pelas outras pessoas que haviam assistido ao documentário junto com eles.

Pressão do grupo
O resultado foi que uma grande parte do participantes do teste concordou com as afirmações incorretas dos pesquisadores. “A eficácia da influência social em mudar nosso comportamento é impressionante. Embora ela tenha sido mostrada anteriormente, ainda me surpreendeu o fato de que em 70% dos casos, os participantes do nosso experimento mudaram da resposta correta para uma incorreta devido à pressão do grupo mesmo quando inicialmente haviam acertado a resposta”, afirmou Edelson ao iG . E completou: “Nós, humanos, somos animais muito sociais e estamos expostos à influência social constantemente por isso é fundamental entender como ela pode nos afetar”.

No quiz com as respostas manipuladas, os pesquisadores mediram a atividade cerebral com ressonância magnética funcional (equipamento que permite enxergar as áreas do cérebro que são ativadas durante uma determinada situação) e descobriram que houve um aumento na atividade da amigdala, estrutura do cérebro ligada ao processamento de emoções, e de sua ligação com uma estrutura chamada de hipocampo. O resultado levou-os a concluir que existe a possibilidade de que a amigdala seja a responsável por incorporar as informações sociais externas á memória de longo prazo.

Susto ajuda a memória
No outro estudo, publicado no periódico científico Psychological Science, pesquisadores descobriram que tomar um susto logo após fazer um teste reforça a memória daquilo que foi mostrado nele. “Ficamos instigados com o fato do estudo ter mostrado que imagens assustadoras podem melhorar e não piorar atenção”, afirmou ao iG Bridgid Finn, uma das autoras do artigo, da Universidade de Washington, em Saint Louis, nos Estados Unidos. E completou: “A memória é dinâmica. Quando você se lembra de algo de memória, você a revive e esta informação pode ser modificada – no nosso caso, reforçada.”.

O mesmo, porém, não aconteceu quando as imagens mostradas foram prazerosas ou neutras. “As imagens negativas talvez tenham melhorado a lembrança (quando comparadas com imagens neutra ou telas brancas ) pois emoções, em particulares as negativas, melhorem a memória”, explicou Bridgid.

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