Status social depende da atividade cerebral

Testes feitos com camundongos mostraram que os animais com maior atividade no córtex pré-frontal são os dominantes

Alessandro Greco, especial para o iG |

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Estudo chinês mostra que para ser o maioral da gaiola é preciso ter sinapses mais ativas
A hierarquia é fundamental no mundo animal. Ela determina a sobrevivência, a saúde e até o sucesso na hora de se acasalar.

Mas como esse tipo de informação fica armazenado no cérebro dos animais? Um estudo feito nos Institutos Shangai de Ciências Biológicas na China analisou camundongos, seu comportamento hierárquico e qual a relação de uma área do cérebro chamada córtex pré-frontal medial com ela.
Publicado na edição desta quinta-feira (29) no periódico científico Science, o trabalho mostrou que uma diminuição no número de sinapses nessa região “rebaixou” o status social do camundongo em relação aos seus pares que estão na mesma gaiola.

Ou seja: quanto menos sinapses, mais “submisso” e quanto mais sinapses mais dominante. “Ficamos surpresos. Tínhamos algumas ideias de qual região testar e também tínhamos uma ferramenta molecular que alterava a força das sinapses. Pensamos então: por que não tentar? Ao mesmo tempo imaginamos que se funcionasse seria bom demais para ser verdade”, afirmou ao iG Hailan Hu, um dos autores da pesquisa. Os cientistas constataram também que fatores como atividade locomotora e peso não influenciaram os aspectos hierárquicos.

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Hu afirma que não ficaria surpreso se uma pesquisa com humanos obtivesse resultados semelhantes. “Diversas funções cerebrais são altamente preservadas entre mamíferos. Então eu não me surpreenderia se o mesmo fenômeno se aplicasse a humanos. Mas, diferentemente das medições diretas que fazemos com camundongos, o ranking social humano é frequentemente inferido indiretamente. Ele também é mais complexo. Em camundongos provavelmente ele é principalmente fruto do temperamento/caráter. Em humanos o nível de educação, por exemplo, pode contribuir para o status”, explicou o pesquisador.

(Com reportagem de Denise Barros)

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