Hayabusa coletou amostras de asteróide 2543 Itokawa para compreender melhor as condições de formações destes corpos celestes

Técnico analisa parte da cápsula da sonda Hayabusa, que retornou à Terra em 2010 trazendo fragmentos de meteoritos
© AP
Técnico analisa parte da cápsula da sonda Hayabusa, que retornou à Terra em 2010 trazendo fragmentos de meteoritos
Em 2005, a sonda espacial japonesa Hayabusa coletou amostras do asteróide  com o intuito de confirmar a hipótese de que os meteoritos mais comuns que chegam à Terra são provenientes de um tipo específico de asteróide, os chamados tipo S. Em seis estudos publicados nesta quinta-feira (25) no períodico científico Science, um grupo de pesquisadores japoneses confirma a suspeita e faz uma análise minuciosa do material coletado.

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A relação entre asteroides tipo S e condritos (nome técnico dos meteoritos mais comuns que chegam à Terra) sempre teve um problema pois as características dos dois não combinavam totalmente. Havia a hipótese de que os asteróides tipo S seriam os pais dos condritos, mas haviam diferenças importantes entre os dois, ainda não completamente compreendidas. A suspeita era de que o responsável eram as mudanças em características físicas do espaço ao longo do tempo no espaço, como ventos solares (jatos de partículas ejetados da superfície do Sol). “Aprendemos muito sobre o clima no espaço com estas amostras”, afirmou Tomoki Nakamura, da Universidade de Tohoku, em Sendai, Japão, principal autor do artigo que confirma a relação entre os asteróides e os meteoritos encontrados na Terra.

Fragmento do asteroide 2543 Itokawa examinado pelos técnicos japoneses: origem confirmada
Science/AAAS
Fragmento do asteroide 2543 Itokawa examinado pelos técnicos japoneses: origem confirmada
Foi a primeira vez na história que amostras de um asteróide foram trazidas à Terra. A escolha do 2543 Itokawa para tal fim não foi ao acaso. “Ele é um asteróide que está perto e foi fácil de ser atingido. Ele também é um asteróide tipo S, o tipo mais abundante no cinturão de asteróides [entre as órbitas de Marte e Júpiter]”, explicou Nakamura.

O sucesso da missão, no entanto, não foi trivial. Houve um problema no sistema de coleta das amostras da Hayabusa e os cientistas tiveram de esperar ela pousar na Terra para ter certeza de que a sonda havia cumprido sua missão. Um detalhe: a Hayabusa chegou à Terra em 2010 , cinco anos após ter coletados as amostras.

A pesquisa com asteróides dos japoneses continua e o próximo alvo já está escolhido. “A Hayabusa 2 será lançada em 2014. Queremos ir a asteroides tipo C e trazer as amostras para casa. Eles são ricos em água e materiais orgânicos e queremos encontrar informações cruciais sobre a origem da água e da vida na Terra”, explicou Nakamura.

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