Sonda espacial Messenger apresenta dados inéditos sobre Mercúrio

Missão da Nasa mostra que planeta tem altas concentrações de enxofre e pode ter sido formado a partir de um meteorito

Alessandro Greco, especial para o iG |

Nasa
Mercurio Nasa
O periódico científico Science publicou nesta quinta-feira (29) sete artigos com a análise de dados do planeta Mercúrio enviados pela sonda espacial Messenger, a primeira a orbitar o planeta. Os textos abordam diferentes aspectos do planeta, da atmosfera à atividade geológica, passando pela quantidade de elementos radioativos e a o campo magnético.

“Pela primeira vez é possível testar várias teorias e hipóteses a respeito da origem e história de Mercúrio que são discutidas há mais de 30 anos desde que a sonda Mariner 10 orbitou o planeta”, afirmou ao iG Larry Nittler, da Instituição Carnegie para Ciência, em Washington DC, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo sobre a composição da superfície de Mercúrio.

Planeta sulfúrico
Os dados analisados por Nittler e colegas mostram, por exemplo, que a superfície de Mercúrio tem quantidades de elementos diferentes da de outros planetas rochosos, como a Terra. É o caso da concentração de enxofre.

Em Mercúrio, ela é dez vezes maior do que na Terra e na Lua. A superfície do planeta também é rica em magnésio e silício, apresenta baixas concentrações de cálcio e alumínio, e uma concentração de ferro relativamente pequena, em relação à encontrada na Terra.

Por outro lado, essa análise mostra que Mercúrio é feito de materiais similares aos dos outros planetas rochosos do sistema solar (Terra, Vênus e Marte). Ou seja: ele é muito mais parecido com eles do que se supunha.

Filho de meteorito?
Os dados levam ainda os pesquisadores a acreditar que Mercúrio pode ter sido formado a partir de um meteorito ou de partículas de poeira vindas de cometas sem água. “Fiquei surpreso [...] porque poucas das nossas ideias sobre a origem de Mercúrio previa esta composição.”, explicou Nitler.

Outro estudo sobre a superfície do planeta reforça essa teoria. Liderado por Patrick Peplowski, da Universidade Johns Hopkins, descobriu que Mercúrio não necessitou de uma temperatura tão alta para se formar e teria sido criado com base em materiais como os encontrados em meteoritos rochosos.

Coberto por lava
Outro artigo ainda afirma que o planeta passou por um intenso processo de vulcanismo há 3,8 bilhões de anos, após ter sido bombardeado por meteoritos durante sua formação e atualmente tem atividade vulcânica em pontos isolados .

Neste processo de expulsão, a lava cobriu 6% da superfície do planeta, o equivalente a cerca de 60% do território dos Estados Unidos. ‘Conforme continuamos a orbitar Mercúrio criamos uma imagem global desses incríveis depósitos vulcânicos e construímos uma visão da história do vulcanismo em Mercúrio”, afirmou James Head, um dos autores do artigo, da Universidade de Brown, durante conferência com jornalistas.

(Com reportagem de Denise Barros)

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