Sentir dor pode ser uma questão de genética

Estudos mostram a relação entre genes e sensibilidade à dor

Alessandro Greco, especial para o iG |

A sensibilidade à dor é uma característica que há muito se sabe que varia de uma pessoa para outra. Agora cientistas acreditam ter encontrado a resposta para esta diferença nos genes, mais especificamente nas variações genéticas do gene Cacgn2.

O estudo, feito com ratos e publicado na revista Genome Research, mostrou que os animais que tinham uma ou mais mutações neste gene apresentavam mais suscetibilidade à dor crônica – um mal que afeta cerca de 20% dos adultos em todo o mundo e pode variar da dor de cabeça persistente, dor nas costas, dor da artrite e até mesmo dores psicogênicas.

Para verificar se o mesmo ocorria com a versão humana do gene, os pesquisadores analisaram o Cacgn2 de um grupo de pacientes com câncer de mama que sentiam dor crônica por mais de seis meses depois de terem sido submetidas à remoção total ou parcial da mama. Eles descobriram que aquelas que tinham variações do Cacng2 apresentavam significativamente mais dor crônica do que aquelas que não tinham.

A pesquisa que envolveu cientistas da Universidade Hebraica em Jerusalém, da Universidade de Toronto, no Canadá, da Sanofi-Aventis, na Alemanha, e do Centro de Biologia Oral do Instituto Karolinska, na Suécia, traz três resultados importantes, o primeiro deles imediato: “mostrar que dores crônicas específicas têm origem genética traz alivio psicológico para os pacientes (porque antes a sociedade e os médicos podiam antes colocar a culpa neles)”, afirmou Ariel Darvasi, da Universidade Hebraica ao iG .

Os dois resultados da pesquisa serão convertidos em benefícios somente após outros estudos mais aprofundados, conforme avaliação de Darvasi. “Definindo se há predisposição à dor, os pacientes serão tratados com mais cuidado ainda nas cirurgias. Esta descoberta pode levar a novas pesquisas que descubram novas formas de tratamento”, explicou ele.

Não sentir a dor também está nos genes
Pesquisadores também descobriram recentemente mais detalhes sobre um dos responsáveis pela falta de sensibilidade à dor, o gene SCN9A. Nos últimos cinco anos, eles já haviam descoberto que três doenças sérias e raras ligadas à falta de dor eram causadas por mutações no gene SCN9A.

Um novo estudo, liderado por Roland Staud, da Universidade da Florida, encontrou mais duas dessas mutações no mesmo gene ligados à insensibilidade congênita à dor - situação em que a pessoa não consegue ter dor física. “Dependendo de como este gene estiver modificado ele afeta a sensibilidade a dor grandemente”, disse Roland.

O estudo, publicado na revista European Journal of Pain, também pode, segundo os pesquisadores, lançar luz sobre o excesso de dor. O motivo é simples: é do SCN9A que parte uma mensagem para a produção de uma molécula que dá o sinal para que as células nervosas disparem e sintamos dor. Ou seja: se ele produzir muitos sinais sentiremos mais dor. Mais até do que as descobertas, os dois trabalhos indicam um caminho a seguir na pesquisa sobre dor e ela inclui, em grande medida o estudo de genes.

    Leia tudo sobre: genesdorsensibilidade

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG