Arquivos revelam que acidente que matou o primeiro homem a viajar ao espaço pode ter sido causado por sonda atmosférica

Yuri Gagarin é recebido como herói em Londres, após voo ao espaço
AP
Yuri Gagarin é recebido como herói em Londres, após voo ao espaço
A morte de Yuri Gagarin, em 1968, no acidente com um avião MiG que pilotava, sete anos depois de tornar-se o primeiro homem a voar ao espaço, foi causada, talvez, por uma sonda atmosférica da qual teve que se esquivar, segundo documentos desarquivados nesta sexta-feira, 8.

O caso havia sido classificado de "segredo de Estado" pelas autoridades soviéticas.


No dia 27 de março de 1968, no comando de um MiG-15 bimotor de treinamento e acompanhado por um instrutor, Gagarin se acidentou no nordeste de Moscou, em circunstâncias não esclarecidas até agora.

Num momento em que a Rússia festeja com grande pompa os 50 anos do voo de Gagarin ao espaço, no dia 12 de abril de 1961, o chefe dos Arquivos do Kremlin, Alexandre Stepanov, leu, em entrevista à imprensa, um documento que estava guardado a sete chaves, sobre a investigação.

"Conclusões da comissão: segundo as análises das circunstâncias do acidente aéreo e os elementos da pesquisa, a causa mais provável da catástrofe seja uma manobra brusca (do piloto) para evitar uma sonda atmosférica".

"Ou talvez, o que é menos provável, para evitar entrar numa camada de nuvens", acrescentou.

"A manobra brusca deixou o aparelho numa situação crítica, em condições meteorológicas difíceis", acrescentou.

Outra funcionária, a vice-diretora dos arquivos estatais científicos, Larisa Uspenskaia, destacou que "mais de 200 documentos e processos haviam sido desarquivados", por ocasião dos 50 anos do voo de Yuri Gagarin.

A manutenção do segredo, desde a época soviética, sobre as causas da morte deste herói nacional gerou os mais diversos rumores, desde um complô da KGB à hipótese de um Gagarin sem treinamento, ou talvez embriagado, a quem as autoridades não teriam ousado rejeitar a autorização de voar.

Como sinal da importância do caso, as conclusões haviam sido inscritas num decreto do Comitê Central do Partido Comunista da então URSS, datado de 28 de novembro de 1968, com o selo de "segredo de Estado".

Alguns mencionaram a manobra de um segundo avião, que teria desestabilizado o MiG-15 de Gagarin e, outros, um problema técnico do próprio aparelho.

Os que optaram pela tese de complô afirmaram que Yuri Gagarin pode ter sido vítima da KGB ou de outros serviços secretos da época.

Outros diziam que o cosmonauta, piloto de formação, muito ocupado com o título de herói e seu papel de propagandista da União Soviética, poderia ter perdido sua habilidade para voar neste tipo de aparelho.

"Espero que ponham um ponto final às numerosas especulações que circulam na Rússia em livros pseudo-históricos", declarou Stepanov nesta sexta-feira.

O subchefe da agência espacial russa Roskosmos, Vitali Davydov, afirmou que todos os documentos disponíveis sobre o assunto foram desarquivados.

No entanto, "não encontramos alguns deles", admitiu.

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