Rússia avaliar retirar astronautas da ISS

Cancelamento de vários voos até a Estação Espacial Internacional faz com que transporte de astronautas fique ainda mais raro

iG São Paulo |

AFP
Técnicos testam o foguete do cargueiro Progress no Cazaquistão
A nave espacial Soyuz TMA-21 voltará para a Terra com três astronautas da Estação Espacial Internacional em 16 de setembro, informou nesta quarta-feira o porta-voz do Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia. Porém, a decolagem da próxima expedição à ISS, prevista para 22 de setembro, foi adiada por várias semanas e será realizada no final de outubro ou início de novembro.

A Agência espacial russa Roskosmos considerou nesta quarta-feira (31) que a presença permanente de astronautas no espaço não será algo indispensável no futuro. O anúncio foi feito no momento em que se planeja a retirada, sem precedentes, de astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS).

Na semana passada, o cargueiro Progress explodiu. Ele transportava 2,9 toneladas de suprimentos para a ISS. Depois do acidente, a Roskosmos anunciou que vai adiar várias de suas missões no espaço. A agência espacial russa analisa uma evacuação da ISS, algo que não ocorre desde o ano 2000, caso os voos das naves especiais russas não sejam retomados até o fim de novembro.

A tripulação é da ISS é composta por normalmente por seis membros e é renovada a cada seis meses. Atualmente, há três russos, dois americanos e um japonês.

"No futuro, talvez não necessitemos de uma presença permanente de 'cosmonautas' em uma órbita próxima à da Terra", declarou o diretor-adjunto da Roskosmos, Vitaly Davydov, em uma coletiva de imprensa em Moscou. No entanto, Davydov também afirmou que não excluí a possibilidade de “voltar ao plano B”, referindo-se a uma estação espacial na época soviética do programa Saliut, que previa missões de longa duração e ao invés de uma presença permanente.

A agência espacial americana, afirmou ontem (30), no entanto, que teme que o adiamento indefinido do lançamento da nave tripulada russa Soyuz. "Há um risco maior de perdermos a ISS se não ficar um astronauta a bordo e o aumento desse risco não é insignificante", disse Mike Suffredini, diretor do programa da ISS na Nasa.

"Vamos fazer o que for mais seguro para a tripulação e a estação, que representa um enorme investimento para nossos respectivos governos", disse na segunda-feira, durante coletiva por telefone, após o anúncio da agência estatal russa.

Por enquanto, a Nasa mostra-se otimista sobre as possibilidades de que os russos identifiquem as causas da falha e prevejam o novo lançamento de uma nave espacial Soyuz com três tripulantes justo a tempo de evitar a evacuação da ISS.

A data limite para o retorno de uma nave Soyuz às estepes do Cazaquistão seria em meados de novembro.

Por outro lado, a Nasa e a agência espacial russa, Roskosmos, não desejam correr o risco de manter os astronautas a bordo da estação além dos seis meses regulamentares, devido aos riscos inerentes da exposição prolongada à radiação espacial.

Além disso, as duas Soyuz de três lugares cada não podem permanecer acopladas ao complexo espacial mais de 200 dias, porque depois deste tempo, o peróxido de hidrogênio, o combustível de seus motores orbitais, começa a se deteriorar.

O abastecimento da ISS não é um problema, assegurou Suffredini, uma vez que há provisões e insumos suficientes para durar um ano.

(Com informações da EFE e AFP)

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