Prática dos séculos III e IV a. C. estava relacionada a falta de matéria prima para produzir o vidro

A análise de 128 utensílios de vidro dos séculos III e IV a. C., encontrados nas ilhas Britânicas, sugere que a reciclagem era algo muito comum no período do Império Romano. Além de mais econômica, a prática estava relacionada com problemas de fornecimento do material, que pode ter sido mais restrito no fim do período romano, por conta das mudanças políticas que ocorreram com o fim do Império.

“Era mais fácil e mais econômico dissolver o vidro já existente, que era relativamente abundante, do que produzi-lo a partir do zero. A reciclagem de vidro consumia menos combustível e energia do que a fusão de matérias primas, que não eram comumente encontradas em todos os lugares”, disse ao iG Caroline Jackson do departamento de arqueologia da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, e autora do estudo publicado no periódico científico Journal of Archaelogical Science.

Os romanos exportaram a técnica de produzir vidro pelo Império. Feito de areia e de componentes químicos como o ferro, o vidro tinha coloração entre o azul ou esverdeada. Vidros sem coloração eram considerados mais chiques, pois lembravam cristal.

O vidro em sua cor natural era mais usado para janelas, garrafas e vasos. Para remover a cor azul, era necessário adicionar manganês ou antimônio, o que exigia habilidade e controle do forno. “O vidro era aquecido em vasos refratários de argila que iam para fornos. Eles eram coletados por pessoas especializadas na arte de reciclá-los”, disse.

Logística ruim
De acordo com Caroline, o vidro "bruto" romano era produzido em fornos enormes provavelmente no Mediterrâneo Oriental ou no Egito, onde havia às matérias-primas necessárias, como areia e natrão. “Estes fornos produziam grandes blocos de vidro que eram desmantelados e enviados através do império onde o vidro era então refundido em fornos menores”, disse.

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