Protótipo se parece com um pequeno tanque de guerra e não usa ventosas, cola ou líquido para aderir à superfície

Inspirados na lagartixa, cientistas desenvolveram um robô semelhante a um tanque de guerra, capaz de escalar paredes verticais e deslizar sobre beiradas íngremes sem usar ventosas de sucção, cola ou quaisquer líquidos para aderir à superfície.

A máquina, de 240 gramas, tem trilhos cobertos com microfibras inspiradas nos pêlos das patas da lagartixa, que consegue escalar janelas e atravessar paredes sem maiores esforços.

O lagarto consegue fazer o truque graças a milhares de pêlos ultrafinos, denominados 'setae', que interagem com a superfície, criando uma atração molecular conhecida na física como força van der Waals.

Descrito na edição de terça-feira da revista britânica Smart Materials and Structure, o robô tem trilhos guarnecidos com protuberâncias no formato de cogumelos, dotadas de microfibras de polímero medindo apenas 0,017 milímetros de largura por 0,01mm de altura.

A título de comparação, o fio de cabelo humano tem cerca de 0,1 milímetro de espessura.

"Enquanto as forças van der Waals são consideradas relativamente fracas, as saliências finas e flexíveis das protuberâncias em forma de cogumelo garantem que a área de contato entre o robô e a superfície seja maximizada", explicou o cientista Jeff Krahn, da Universidade Simon Fraser de Burnaby, na província canadense de Columbia britânica.

"As almofadas aderentes das patas das lagartixas seguem o mesmo princípio, ao usarem um grande número de fibras, cada uma com uma extremidade muito pequena. Quanto mais fibras a lagartixa tiver em contato, maior a força de aderência à superfície", acrescentou.

O robô-tanque tem partes dianteira e traseira, cada uma com dois trilhos, e uma junta articulada no meio para ajudá-lo a se mover sobre superfícies planas e com quinas.

Veja vídeo do robô escalando superfícies a uma velocidade de até 3,4 centímetro por segundo.

O dispositivo pesa 240 gramas, mas testes demonstraram que ele é capaz de carregar uma carga extra de 110 gramas.

Ainda como protótipo, o robô fica preso a um cordão umbilical que lhe fornece energia e sinais de controle, mas segundo a equipe encarregada de seu desenvolvimento, será alimentado com pilhas e um computador para lhe dar mais autonomia.

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Se o modelo experimental se sair bem nos testes, o equipamento terá dezenas de aplicações.

Robôs escaladores de paredes podem ser usados na limpeza de janelas, inspeção de edifícios e encanamentos, bem como em operações de busca e resgate.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, adotou uma abordagem diferente, usando fibras similares às dos pés das lagartixas, ao invés de trilhos, para ajudar o robô a escalar.

Mas os trilhos, atrelados a esteiras, devem ser vistas como um avanço, porque têm um projeto mecânico mais simples, explicou Krahn.

Os trilhos podem se expandir facilmente, quando o robô levar uma carga mais pesada, acrescentou.

"Infelizmente, ainda não calculamos os custos de desenvolver um robô lagartixa, pois ainda estamos no estágio do protótipo", afirmou Krahn.

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