Ressonâncias curtas podem mostrar estado do cérebro infantil

Cientistas afirmam que exame pode mostrar quão maduro o cérebro de uma criança está e se ela tem potenciais problemas neurológicos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Ilustração mostra conexões que se fortalecem (em laranja) e que se enfraquecem (em verde) conforme a criança cresce
Cinco minutos dentro de um aparelho de ressonância magnética podem dizer muito mais sobre a maturidade do cérebro humano do que se imagina. Ao menos é o que afirmam pesquisadores liderados por Nico Dosenbach, da Universidade de Washington, em Seattle, Estados Unidos, na revista Science desta quinta-feira (09).

Ele e colegas estudaram fizeram ressonâncias magnéticas em 235 voluntários de 7 a 30 anos e concluíram que o aumento de conexões entre neurônios distantes em detrimento das conexões entre os que estão mais perto é o melhor indicativo de quão maduro está o cérebro.

“Acredito que quanto mais especializadas ficam as regiões do cérebro, mais segregadas elas ficam dos seus vizinhos do ponto de vista funcional [ou seja, não têm conexões diretas com eles]. Ao mesmo tempo eles se integram mais a redes funcionais maiores que estão [fisicamente] mais distantes, com base em quão frequentemente trabalham em conjunto para realizar tarefas”, explicou Nico ao iG .

Com base nesta conclusão, os cientistas concluíram que essa informação poderia fazer também parte dos dados coletados normalmente pelos pediatras. Com essas ressonâncias em mãos, seria possível construir curvas padrão de desenvolvimento do cérebro infantil – de forma similar ao que existe atualmente para peso e altura – e verificar se uma criança está dentro dessas curvas.

Se um paciente desviasse muito dela ou fosse detectada uma mudança muito brusca de uma consulta para outra o pediatra teria um indicativo de algo pode estar errado e poderia começar a se perguntar os motivos dessa variação. “As pessoas ainda têm acesso limitado à ressonância magnética, portanto ela seria inicialmente utilizada para crianças com – ou com suspeita de – doenças neuropsiquiátricas”, afirma Dosenbach.

Mesmo nesses casos há ainda um sério obstáculo a ser vencido. Em muitos casos em que há uma clara desordem de neurônios no cérebro, a ressonância magnética dá um resultado normal. “Sabemos que não pode estar normal. O que precisamos é de melhor técnicas de imagem para conseguir enxergar as diferenças”, completa.

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