'Relógio biológico' tem ligação com ataques cardíacos

Variação dos níveis de proteína que controla os processos biológicos do corpo durante o dia está associada à arritmia cardíaca

AFP |

Cientistas afirmaram na quarta-feira (22) que descobriram a primeira prova molecular de que o "relógio biológico" está ligado a um tipo súbito e fatal de ataque cardíaco .

Arritmia ventricular ou batimentos cardíacos anormais ocorrem com mais frequência pela manhã após acordar - e também, em menor escala, no fim da tarde - e causam um maior número de mortes.

Em informações publicadas no períodico Nature, pesquisadores dos Estados Unidos afirmaram ter descoberto a primeira ligação molecular entre este risco e o ritmo circadiano, que aponta a variação dos processos biológicos de acordo com um período de 24 horas.

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Os dados apontam esta ligação com os níveis de uma proteína chamada Klf15. Pesquisas anteriores descobriram que a Klf15 era uma controladora do ritmo circadiano - e, surpreendentemente -, ela não está presente em alguns pacientes com problemas cardíacos.

O grupo criou camundongos que foram manipulados geneticamente para sofrer com a falta de Klf15 ou produzir esta proteína em excesso.

Nos dois casos, os roedores sofreram um risco muito maior de arritmias se comparados a seus pares.

"É o primeiro exemplo de um mecanismo molecular que provoca a mudança do ritmo circadiano relacionado à possibilidade de ocorrerem arritmias cardíacas", disse Xander Wehrens, do Baylor College School of Medicine em Houston, Texas.

"Se houvesse muita Klf15 ou nenhuma, os camundongos estavam em risco de desenvolver a arritmia".

A Klf15 é apenas um passo em uma complexa cascata molecular, acreditam os pesquisadores.

Ela controla outra proteína, a KChIP2, que afeta a corrente elétrica gerada pelo potássio que se dirige às células musculares do coração , chamada de miócitos cardíacos.

Quando os níveis de KChIP2 flutuam, isto causa instabilidades elétricas nos miócitos.

Como resultado, as ações do músculo cardíaco ficam comprometidas e este demora mais tempo (ou, inversamente, menos tempo) para esvaziar o ventrículo - a câmara de bombeamento do coração. O coração perde a regularidade dos batimentos e se esforça para bombear o sangue de forma eficiente.

O coautor da pesquisa Mukesh Jain, da escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, Ohio, afirma que mais estudos podem ajudar a descobrir outras causas relacionadas ao ritmo circadiano.

A descoberta abre espaço para caminhos intrigantes de pesquisa, na identificação de indivíduos em risco de morte noturna e na escolha de medicamentos para protegê-los, disse Jain.

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