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Relatório mundial da Aids aponta epidemia estável no Brasil

BRASÍLIA - Os dados do último relatório mundial de Aids da Unaids - órgão das Nações Unidas dedicado ao combate da doença -, divulgado nesta terça-feira em Brasília, aponta uma estabilização da epidemia no País em 2007, algo tido como exemplo para outras nações. Segundo o relatório, no ano passado, houve 30 mil novos casos de infecção e 11 mil morreram, perfazendo um total de aproximadamente 730 mil pessoas vivendo com Aids ¿ 40% do total de infectados da América Latina.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

O diretor-adjunto do programa brasileiro de combate à Aids, Eduardo Barbosa, disse que o País ainda tem desafios pela frente para conseguir diminuir o número de novos casos, mas conseguiu avanços extraordinários como o acesso universal aos serviços médicos de diagnóstico (teste de Aids) e tratamento (consultas e medicamentos).

No Brasil, 95% das pessoas que precisam de tratamento têm acesso a eles, afirmou Barbosa, para depois citar como maior exemplo da eficiência brasileira a queda constante da chamada transmissão vertical, isto é, doença transmitida de gestantes para bebês.

Dos 30 mil novos casos em 2007, não temos mais que 900 de transmissão vertical. É muito pouco e vem diminuindo, elogiou. O Brasil está utilizando metodologia que é exemplo para o mundo. Pode ser no interior da Amazônia, o teste sai em 30 minutos tem diagnóstico definitivo, e com tecnologia nacional, completou o coordenador mundial da Unaids, o brasileiro Pedro Chequer.

Ele acrescentou que, além da testagem e terapia, o Brasil também é referência na prevenção por ser o único País no mundo com fábrica estatal de preservativos, com perspectiva de expansão na produção e o único que distribui preservativos femininos, considerando que as mulheres são cada vez mais atingidas pela doença.

Problemas

Apesar de as autoridades elogiarem as estratégias e números brasileiros, elas admitem dificuldades para diminuir o número de novos casos anualmente, já que a estabilização no patamar em torno de 30 mil casos ocorreu no ano 2000.

O desafio do Brasil é fazer chegar a informação sobre prevenção e do acesso ao tratamento nas regiões de difícil acesso, como na Amazônia e sertão nordestino. Não é um desafio fácil de ser vencido, porque as condições dos sistemas de saúde não são as mesmas de Brasília, por exemplo, analisou Pedro Chequer.

O coordenador da Unaids, ex-coordenador do programa brasileiro, apontou como uma das principais causas do problema as falhas nos sistemas de saúde municipais, que muitas vezes não priorizam o combate à Aids.

Há uma diretriz muito forte do governo federal, mas isso não foi alcançado em nível municipal. O poder público local [prefeituras] não se mobilizou o suficiente para termos essa cobertura mais eficiente, lamentou.

Incidência

Os dados da epidemia no Brasil mostram a tendência de aumento da proporção de mulheres e jovens portadores do vírus HIV. Hoje temos 15 homens infectados para cada 10 mulheres, e no começo da epidemia (anos 80) tínhamos 28 homens infectados para cada uma mulher, comparou Eduardo Barbosa. Dos 30 mil novos casos anuais, entre 25% e 30% são de jovens entre 15 e 24 anos.

Segundo os cientistas, essa é uma tendência mundial, já que as pessoas que não viveram a época mais aguda da epidemia têm menor receio da doença e acabam se prevenindo menos. A tendência de maior contágio das mulheres também é internacional, já que o vírus cada vez menos se concentra nos chamados grupos de maior risco: usuários de drogas, trabalhadores do sexo (homens e mulheres) e homens que fazem sexo com homens.

No mundo, a Unaids calculou em 33 milhões o número de pessoas vivendo com Aids em 2007, sendo um pouco mais da metade (15,5 milhões) mulheres. Os jovens de 15 a 24 anos equivaleram a 45% e as crianças (abaixo de 15 anos) corresponderam a 6% (2 milhões de infectados). Em 2007 foram notificados 2,7 milhões de novos casos mundialmente, e cerca de 2 milhões de mortes.

A África é o continente mais afetado, com o maior número de pessoas vivendo com Aids (22 milhões), maior quantidade de novos casos (1,9 milhões), de mortes (1,5 milhões) e de prevalência (incidência) de adultos: 5,9% da população madura.

Pelas estimativas da América Latina, em 2007 haviam 1,7 milhões de pessoas vivendo com HIV, 140 mil novos casos e 63 mil mortes, e prevalência de 0,5% da população adulta.

O continente menos afetado, proporcionalmente, é a Ásia oriental, com prevalência de 0,1% dos adultos. Em número de pessoas vivendo com o vírus, eram 740 mil em 2007, e os novos casos somaram 52 mil, e ocorreram 40 mil mortes. 

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