Rede de voluntários descobre nova estrela

Projeto usou computadores pessoais espalhados pelo mundo inteiro para analisar dados vindos do espaço e descobrir uma nova pulsar

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Nem sempre uma descoberta astronômica é fruto de horas de observação solitária de um cientista trancafiado em um observatório. No caso do estrela de nêutrons , foi o esforço conjunto de 250 mil computadores, espalhados por 192 países que resultou em seu descobrimento. A pesquisa foi divulgada esta semana pela revista científica Science.

O programa Einstein@Home , criado por um consórcio criado por instituições como a Universidade de Cornell e o Instituto Max Planck, tem usado a capacidade ociosa de computadores pessoais de voluntários do mundo todo para procurar ondas gravitacionais das estrelas de nêutrons. Eles instalam um software que permite que suas máquinas possam processar os dados coletados do Observatório Arecibo – o maior telescópio do mundo, com 305 metros de diâmetro, que fica em Porto Rico. Os dados registrados no telescópio são pré-processados e reunidos no Instituto Albert Einstein, em Hannover, Alemanha. De lá são enviados para a rede de PCs voluntários e os dados depois retornam para serem investigados nos centros de pesquisa.

“Apesar da raridade do pulsar que descobrimos, acredito que a importância maior está no fato de que é o primeiro pulsar descoberto com este projeto que envolveu tantos voluntários no mundo inteiro e que tem potencial de encontrar muito mais coisa”, disse ao iG Bruce Allen, coordenador do projeto e diretor do Max Planck Institute de Física Gravitacional.

  Veja vídeo com simulação da rotação e intensidade do campo magnético da estrela


A descoberta do novo pulsar - que está na Via Láctea a aproximadamente 17 mil anos luz da Terra, na constelação de Vulpecula - foi creditada ao Chris e Helen Colvin, de Ames, de Iowa (EUA) e Gebhardt Daniel, da Universität Mainz, Musikinformatik, na Alemanha. Seus computadores analisaram os dados para Einstein@Home que levaram à descoberta da PSR J2007+2722. Esta estrela de nêutron tem características físicas raras, é mais lenta que os outros pulsares comuns. Ela gira 41 vezes por segundo (enquanto uma pulsar gira 716 vezes por segundo) e orbita solitária. Astrônomos consideram provável que se trate de um pulsar que perdeu seu companheiro ou uma estrela jovem que nasceu em um campo magnético mais fraco que o normal.

Os voluntários reclamaram de pequenos bugs em suas máquinas, mas confirmaram que o projeto está inspirando cada vez mais leigos a estudar astronomia.

B.Knispel, Albert Einstein Institute
Tela do programa Einstein@Home
Endereço conhecido
Coincidentemente, o primeiro pulsar descoberto na história também estava na constelação de Velpecula. Foi em 1967, que os cientistas Jocelyn Bell e Antony Hewish descobriram o primeiro deles e desde então estas estrelas tem sido usadas para comprovar a teoria da relatividade de Einstein.

As estrelas de nêutron (ou pulsares) são bastante densas: podem ter dimensões pequenas, mas normalmente têm massa equivalente a estrelas maiores como o sol. Já as pulsares de rádio são estrelas de nêutrons com um campo magnético muito forte, que giram e aceleram elétrons para perto da velocidade da luz. Algumas pulsares de rádio poder ser vistas na luz visível, raios X e gama.

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