Rede de farmácias adia venda testes genéticos

Decisão foi tomada depois de anúncio questionando a eficácia dos exames

AP |

A maior cadeia de drogarias dos Estados Unidos, a Walgreen Co., disse nesta quarta-feira (12/5) que irá adiar a venda de testes genéticos em sua rede de lojas.

A decisão foi tomada depois de um pronunciamento da Food and Drug Administration – agência reguladora de medicamentos e alimetos – afirmando que a eficácia dos kits ainda não foi comprovada.

A empresa Pathway Genomics, anunciou na última terça-feira (11/5) que os kits estariam nas prateleiras no final deste mês, oferecendo a milhões de americanos a chance de “espiar” seu código genético para detectar sinais de doenças como o Alzheimer.

Em menos de 24 horas, no entanto, os planos da empresa californiana foram atrapalhados por uma dura resposta do FDA. Segundo o órgão, a venda dos produtos pode entrar em conflito com leis federais que regulam os exames médicos. Na quarta-feira, o FDA enviou uma carta à empresa baseada em San Diego afirmando que a Pathway Genomics nunca apresentou o seu produto para a revisão do órgão federal, algo exigido para todos os aparelhos médicos comercializados nos EUA.

“Não há provas de que esses kits sejam seguros, eficazes ou precisos e os pacientes podem tomar decisões médicas com base em dados de um teste que não foi validado pelo FDA”, disse o porta-voz da agência Erica Jefferson, em uma declaração no início desta quarta-feira.

Depois da declaração do FDA a Walgreen informou a decisão de não estocar os kits em suas lojas até que se tenha "maior clareza" sobre o assunto.

O kit da Pathway teria sido o primeiro de baixo custo a ser comercializado numa versão “em massa” dos testes genéticos feitos para vasculhar o genoma em busca de genes associados a doenças como o câncer de próstata, diabetes e fibrose cística.

A carta enviada pelo FDA à Pathway Genomics pede uma resposta da companhia em até 15 dias.

“Demos a eles uma chance de responder e contar-nos por que acham que este é realmente um produto legal” disse Alberto Gutierrez, diretor de testes diagnósticos do FDA.

A Pathway disse em comunicado que está em contato com o FDA e que respeita a decisão de Walgreen's de adiar a venda do produto em suas farmácias.

A proliferação de testes genéticos tem incomodado médicos e autoridades de saúde pública – a preocupação é de que os produtos são construídos com dados inconsistentes.

“O problema com todos esses produtos é que eles são baseados em informações incompletas e não validadas” disse Muin Khoury, diretor do Instituto Nacional de Saúde Pública e Genômica do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A biologia de como alterações no DNA conduzem a certas doenças, ainda é pouco compreendida, apesar de um bom número de instituições públicas e privadas estarem totalmente focadas em encontrar respostas.

Khoury disse que conhecer a história médica de um paciente – incluindo a possibilidade dele ter diabetes ou doença cardíaca – é realmente mais útil do que os testes genéticos atuais. Ele e outros especialistas temem que a crescente prevalência de testes genéticos poderia exercer pressão sobre os médicos para exames desnecessários e tratamento.

“Acho que vai ser uma dor de cabeça tanto para os médicos de cuidados primários quanto para os próprios consumidores que vão receber esses relatórios e não saberão o que fazer com a informação” disse Peter Kraft, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública de Harvard.

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