Radares de olho nos pequenos voadores

Cientistas estão usando sistema de radares meteorológicos para rastrear movimentos de morcegos, pássaros e insetos

Natasha Madov, enviada a Washington |

AP
Morcegos estão entre as criaturas monitoradas pelo sistema de radares
O extenso sistema de radares meteorológicos do Administração Atmosférica e Oceânica dos EUA estão servindo para mais do que previsões de chuvas ou frio: biólogos estão se valendo dos mesmos dados para estudar as atividades de pequenos animais voadores, como passarinhos, morcegos e insetos.

O uso dessa tecnologia já ajudou a cunhar um novo termo: aeroecologia, o estudo do comportamento dos animais no ar. “É um campo que une várias especialidades: biólogos, analistas de sistemas, geógrafos, meterologistas, entre outros,” explicou Thomas Kunz, da Universidade de Boston, que conduzirá um simpósio sobre o tema neste sábado (19).

“É uma ferramenta inédita para observar morcegos, por exemplo,”, disse Winifred Frick, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, durante a apresentação da pesquisa à imprensa. “Eles têm corpos pequenos e hábitos noturnos, o que torna sua observação difícil. Os radares permitem que nós, pesquisadores, possamos acompanhar padrões de migração, mudanças sazonais de comportamento e os efeitos das mudanças climáticas”. A pesquisadora já conseguiu saber, por exemplo, que os morcegos saem mais cedo de seus abrigos em dias mais quentes e secos, por correr o risco de se desidratarem.

Foi apenas recentemente que notou-se que os radares governamentais, espalhados tanto pelos Estados Unidos quanto pelo mundo, usados para rastrear aviões e o clima, também poderiam fornecer dados biológicos – e o que é melhor, a custo baixo, pois a infraestrutura já está instalada. “Alguns deles são tão precisos que se pode detectar uma abelha numa distância de 50 quilômetros,” afirmou Phillip Chilson, meteorologista da Universidade de Oklahoma. É possível até descobrir o número de animais em um bando em pleno voo.

Agora, o desafio é peneirar os arquivos de 20 anos de informações de radares do Centro Nacional de Dados Climáticos, em busca de mais informações sobre populações de morcegos, pássaros e insetos, e avaliar suas mudanças ao longo do tempo. Segundo Winifred, os dados já estão em análise.

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