Zoológico de Berlim divulgou resultados preliminares da necropsia de urso polar morto no último fim de semana

O zoológico de Berlim  criou uma conta para doações em nome de Knut. O dinheiro será utilizado para pesquisa de ursos polares
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O zoológico de Berlim criou uma conta para doações em nome de Knut. O dinheiro será utilizado para pesquisa de ursos polares
Problemas no cérebro aparentemente levaram Knut à morte prematura. Resultados preliminares da necropsia no urso polar de quatro anos mostraram que “alterações significativas no cérebro do animal, podem ser encaradas como o motivo para morte súbita do urso polar", segundo comunicado do zoológico de Berlim, responsável pelo animal.

O zoológico não deu mais informações sobre quais seriam as alterações no cérebro de Knut. Patologistas do Instituto Leibniz de Zoologia e Pesquisa com Animais Selvagens não encontraram nenhuma alteração nos órgãos do animal e o resultado final ainda vai levar alguns dias, pois ainda é necessário realizar exames bacteriológicos e nos tecidos do urso.

O urso polar morreu na tarde de sábado (19) em frente aos visitantes do zoológico de Berlim. O animal se contorceu algumas vezes em seguida caiu no chão, indo para a água em área reservada para ursos. Ursos polares selvagens tendem a viver entre 15 e 20 anos; em cativeiro, vivem ainda mais tempo.

Veja galeria de imagens sobre Knut:

Knut nasceu em dezembro de 2006 no zoológico de Berlim e logo se tornou celebridade. O animal foi rejeitado pela mãe em seu nascimento juntamente com seu irmão gêmeo, que só sobreviveu alguns dias. Ele atraiu a atenção quando seu principal tratador, Thomas Doerflein, acampou no jardim zoológico para dar mamadeira ao filhote a cada duas horas.

Knut virou uma celebridade. O urso passou a aparecer nas capas de revista, em um filme e uma série de produtos foi feita com seu nome. Os Correios alemães chegaram a criar um selo em homenagem a Knut, e os suvenires do ursinho geraram grandes negócios. Quando Knut chegou à adolescência, já tinha gerado 5 milhões de euros (aproximadamente R$12 milhões) para o zoológico de Berlim.

Logo após a primeira aparição ao público, no início de 2007, foram criados fã-clubes em todo o mundo, inclusive no Japão, Estados Unidos e na Alemanha. Eles acompanhavam todos os passos do urso, as notícias de uma possível transferência para outros zoológicos, até mesmo sua batalha contra o peso – o urso tinha um fraco por croissants.

Uma batalha foi travada por sua guarda. O zôo de Neumuenster disputou sua custódia, ou pelo menos parte dos lucros, porque emprestara o pai de Knut, Lars, ao zôo de Berlim.

O fã-clube de Knut encolheu à medida que o ursinho órfão foi crescendo, e no ano passado um grupo de defesa dos direitos dos animais disse que ele deveria ser castrado, porque era parente da ursa Giovanna, sua "namorada".

O defensor dos direitos dos animais Frank Albrecht, que fez a sugestão, revelou que recebeu muitos telefonemas enfurecidos, incluindo um de um homem dizendo que ele, Albrecht, era quem deveria se castrar.

Desde sua morte de Knut, centenas de pessoas foram ao zoológico de Berlim prestar homenagens ao urso e também para assinar o livro de condolências. Pessoas de todo o mundo também postaram mensagem via Twitter e Facebook. “Nós recebemos condolências de toda a parte do mundo: Austrália, Nova Zelândia, Honolulu”, disse o tratador Heiner Kloes.

A porta-voz do zoológico, Claudia Beinek disse que foi necessário criar um livro de condolência online para atender aos fãs que não moram em Berlim.

Teorias
Antes mesmo de os resultados preliminares da necropsia sair, alguns fãs já elaboravam suas próprias teorias. Nadine Hipauf acredita que alguém possa ter envenenado Knut - fosse de propósito ou não.

Outros acreditam que o urso polar tenha morrido por estresse por causa do bullying que sofria das três fêmeas - Tosca, Nancy e Katjuscha - com quem dividia a área reservada para ursos. "Eles deveriam ter dado uma área só para ele," disse a aposentada Brigit Krause. "As fêmeas viviam o perturbando."

Dezenas de mulheres conhecidas como fãs inveteradas de Knut - algumas das quais afirmaram tentar se esconder no espaço do jardim zoológico para passaram a noite com ele - se reuniram no zoológico no domingo.

“Eu tenho chorado sem parar desde que soube da morte dele”, disse Ingrid Rommel, uma viúva de 65 anos. A moradora de Berlim disse que visitava Knut todas as semanas desde seu nascimento. Ingrid acredita que as visitas a ajudaram a superar a morte do marido.

Doações
O zoológico informou que criou uma conta para doações em nome de Knut. O dinheiro será utilizado para pesquisa de ursos polares e a preservação do seu habitat. "Ele trouxe alegria para todos nós ao redor do mundo", afirmou o zoológico em comunicado. "Knut também foi um ícone para o comprometimento com sua espécie e com os habitats naturais de todos os animais selvagens".

(Com informações da AP e Reuters)

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