Primatas envelhecem como seres humanos

Pesquisadores compararam dados de sete espécies diferentes de primatas e o envelhecimento lento de humanos não é único na natureza

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Ao contrário do que se imaginava o envelhecimento mais lento dos humanos não é algo único na natureza. Pesquisadores compararam a taxa de mortalidade de humanos e sete outros primatas e constataram que ela é muito semelhante ao de primatas selvagens, que não têm acesso a remédio e tratamentos médicos. O estudo também encontrou respostas para a relação entre mortalidade e monogamia.

De acordo com a autora do estudo, Anne Bronikowski, da Universidade de Iowa (EUA), havia boas razões para acreditar que o envelhecimento humano era único, "Os seres humanos vivem por muitos anos após o período reprodutivo. Se fôssemos como os outros mamíferos, nós começaríamos a morrer de forma bastante rápida depois de chegar na meia-idade. Mas nós não", explicou Bronikowski.

O estudo, que será publicado na edição desta semana do periódico científico Science, concluiu que o envelhecimento nos seres humanos não é evolutivamente diferente de outras espécies de primatas. Foram comparados dados de 3 mil indivíduos de sete espécies diferentes de primatas: macacos capuchinos da Costa Rica, macacos muriquis do Brasil, babuínos e macacos azuis do Quênia, chimpanzés da Tanzânia e gorilas de Ruanda e lêmures de Madagascar. Em geral, os animais experimentaram quase o mesmo tipo de tendências em relação à taxa de mortalidade: um relativo risco de morrer na infância, baixo risco na juventude, e depois um aumento do risco de morrer na velhice – embora os primatas tenham causas de morte diferentes de seres humanos.

Monogamia
Um fato interessante da pesquisa relaciona monogamia e taxa de mortalidade. Os pesquisadores observaram que machos de espécies monogâmicas tendem a envelhecer de maneira semelhante às fêmeas, enquanto que machos poligâmicos apresentam maior taxa de envelhecimento em relação ao sexo feminino.

“Em todas as espécies, com exceção do muriqui, os machos competem entre si para ter acesso a fêmea”, disse Anne. De acordo com o estudo, o motivo pelo qual machos das outras espécies morrem mais cedo que as fêmeas pode estar no estresse provocado pela concorrência.

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