Presidente da SBPC pede para incluir ciência no Código Florestal

Senado vota amanhã se novo Código deve passar pela Comissão de Ciência e Tecnologia

Maria Fernanda Ziegler, enviada à Goiânia |

A presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Helena Nadar, fez hoje (11), em Goiânia, um apelo para que a sociedade e a imprensa prestem atenção na votação amanhã no Congresso que vai decidir se as alterações do Código Florestal devem passar pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Helena vem batendo nesta tecla desde o ano passado, quando pediu para que os cientistas fossem ouvidos nas decisões sobre o novo projeto de lei. “A SBPC não foi convidada para a discussão”, disse.

A SBPC afirma que a comissão pode trazer o equilíbrio ao assunto. “A ciência não defende nem a bancada ruralista nem os ambientalistas. A contribuição vai ser de reestruturação, porque vai ter problema se o texto passar do jeito que está”, disse Helena.

Para ela é preciso estudar, analisar os impactos da agricultura no país. “Vejam como ficaram as áreas que plantaram trigo exaustivamente. Também não podemos ignorar a importância da agricultura, que é 40% do PIB. No entanto, se nega como chegou foi que a agricultura chegou a este patamar. A Embrapa não nasceu sozinha”.

A SBPC e a Associação Brasileira de Ciência (ABC) afirmam em carta que as alterações do novo código não aproveitam a ciência e a tecnologia. Um dos exemplos está no não uso de ferramentas de mapeamento baseadas em imagem de satélites e simulações computacionais para as tomadas de decisão.

Eles também citam um novo método quantitativo, baseado em imagens de radar e análises digitais de terreno para medir a largura das matas ciliares em função das características variáveis dos solos, da vegetação e dos rios.

A carta foi mandada por e-mail aos senadores. “A gente já deve até ter virado spam no e-mail deles, de tanto que a gente manda e-mail e nada acontece”, disse Helena.

As duas entidades criaram um grupo de trabalho que em 10 meses reuniu 300 artigos relacionados ao tema e lançou um livro em fevereiro. Integrantes de organizações não governamentais (ONGs) não participaram do grupo. “Quando apresento o projeto os dois lados todos acham ótimo, mas votar que é bom, ninguém vota”, disse Helena, que intercedeu junto ao presidente do Senado, José Sarney .

Para José Antonio Aleixo da Silva, coordenador do grupo de estudos, a discussão está nas idéias e independente de que lado sair ganhando, quem vai perder é o Brasil. “O código de 65 realmente precisa de reformulação, mas a reformulação não atende nem o agronegócio nem os ambientalistas, olhando para o longo prazo”, disse.

“É uma briga de poder, quem tiver mais voto ganha, se alguém ganha quem perde é o país”, disse Helena.

Em meio aos apelos, ocorre a 63ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que tem como tema central o Cerrado, o segundo bioma brasileiro mais devastado pelo homem, perdendo apenas para a Mata Atlântica.

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