Plantar milho transgênico e tradicional lado a lado traz economia

Trabalho mostrou que ganho financeiro foi de cerca de US$ 7 bilhões nos últimos 14 anos em cinco estados americanos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Plantar milho geneticamente modificado juntamente com milho tradicional gera o melhor retorno para os agricultores
O uso de milho geneticamente modificado resistente a insetos, o chamado milho Bt, ajudou também a diminuir a presença de outra peste, a broca européia (Ostrinia nubilalis),em plantações de milho tradicional. A conclusão é de um estudo publicado nesta quinta-feira (7) na revista científica Science.

O trabalho liderado por William Hutchinson, da Universidade de Minnesota, mostrou que o aumento da presença do milho Bt em cinco estados do meio-oeste dos Estados Unidos (Minnesota, Wiscosin, Illinois, Iowa e Nebraska) inibiu a presença da peste em lavouras vizinhas de milho tradicional. A lógica por trás do resultado é simples: a larva da broca não faz distinção entre comer milho geneticamente modificado ou tradicional. Só que caso a broca coloque seus ovos na primeira opção a larva dela morrerá rapidamente – no caso do ovo estar no milho tradicional ele destrói a planta.

O resultado é que houve uma diminuição de 20% a 70% no número de brocas de milho nas plantações de milho tradicional. O que trouxe uma economia de US$ 7 bilhões em 14 anos, sendo US$ 4 bilhões para os fazendeiros que plantavam milho tradicional, segundo os autores da pesquisa. “Fiquei surpreso com a magnitude da supressão da peste. Na metade da década de 1990, já era previsto que ela aconteceria em uma escala local. Fiquei completamente surpreso pelo grande impacto econômico para os agricultores, particularmente aqueles que plantam milho não-Bt”, disse ao iG Hutchinson.

A pesquisa também mostrou que o uso do milho não-Bt é uma forma de mitigar a possibilidade de a broca adquirir resistência ao milho Bt. Ou seja: o melhor dos mundos, segundo o estudo, é plantar as duas variedades lado a lado. “É uma situação ganha-ganha para os agricultores. Eles ajudam a evitar resistência a broca européia (e perda da tecnologia Bt) e tem um incentivo econômico claro para continuar plantando milho não-Bt em suas fazendas. É a forma mais balanceada e diversificada de plantar”, completa ele.

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