Planetas podem ter se formado com elementos de diversos ambientes

Estudo mostrou que alguns meteoritos viajaram grandes distâncias antes de participarem da criação do nosso sistema solar

Alessandro Greco, especial para o iG |

A notícia de que grãos de cálcio e alumínio viajaram longas distâncias pelo sistema solar antes de se fixarem em meteoritos pode parecer uma conversa sem pé nem cabeça, mas ela diz muito mais sobre a formação do sistema solar do que se pode supor à primeira vista. Quem explica é Justin Simon, especialista da Nasa que publicou nesta quinta-feira (3) uma pesquisa sobre o tema após estudar um pedaço (do tamanho de uma pera) vindo do meteorito Allende, que caiu na Terra há mais de 40 anos: “o que estudamos parece ter se formado no ambiente quente e gasoso do Sol, pode depois ter sido jogado fora do sistema solar e então caído dentro de um cinturão de asteróides e finalmente voltado para perto do sol. E tudo isso aconteceu antes de ter se fixado em um pequeno asteróide e caído como meteoro na Terra”, afirmou Simon ao iG .

O pedaço do meteorito estudado por Simon e colegas, chamado tecnicamente de inclusão de cálcio e alumínio, é um dos mais antigos habitantes do sistema solar. “Com cerca de 4,57 bilhões de anos, eles são os objetos mais antigos a condensar em nosso sistema solar. Por isso está gravado ali como era o sistema antes mesmo da formação dos planetas. Este estudo dá sustentação às ideias de que planetas como Terra, Marte, Mercúrio e Vênus se formaram a partir de materiais que se juntaram de diversas fontes diferentes e não a partir de um material que vindo todo da mesma 'zona de alimentação' ”, explica Simon.

A descoberta, publicada na edição desta semana do periódico Science, surpreendeu o pesquisador que não esperava que as inclusões viajassem tanto. “Esta pesquisa traz as primeiras medições que mostram que sólidos formados no início do sistema solar estiveram em diversos ambientes durante a fase de formação dos planetas do nosso sistema”, afirmou ele. E completou. “O início desta viagem [do grão de poeira] é consistente com os modelos astrofísicos atuais, mas ele também traz implicações importantes de como a matéria se distribuiu em torno do Sol em seu início e como ela pode ter se juntado para formar os planetas terrestres. Por isso parte dos modelos de evolução desses discos astrofísicos [os planetas terrestres] precisará ser mudado”.

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